Curso não forma apenas médicos; forma pessoas
Dos 3.582 vestibulandos que prestaram o vestibular da UEL para Medicina, somente 80 comemoram a recente aprovação. Agora, em uma nova etapa de suas vidas, o que eles encontrarão nos corredores do Centro de Ciências da Saúde (CCS), do Hospital Universitário (HU) e do Hospital de Clínicas (HC) quando as aulas começarem? Muita ralação, garantem colegas que já estão no último ano curso. São nada menos que 9.139 horas/aula em seis anos de faculdade. É como se os estudantes ficassem estudando por 24 horas diárias durante 380 dias. Dessas, 3.950 horas são de internato, que é realizado nos dois últimos anos.
Os ingressantes vão encontrar um curso que obedece as diretrizes conceituais nacionais e que ganhou recentes investimentos do governo do Estado, como a reforma do Pronto-Socorro e a implantação do Centro de Transplante de Medula Óssea. Quanto ao método, eles vão aprender a selecionar e a ir atrás das informações que são mais relevantes. Outro aprendizado interessante que estamos enfocando é o relacionamento com as pessoas e com os pacientes, afirma a coordenadora do Colegiado do Curso de Medicina, Evelin Muraguchi.
Já no último ano do curso, Pâmela Barbosa, 23 anos, diz que a primeira impressão para quem ingressa em Medicina pode assustar um pouquinho. Geralmente, quem consegue entrar já passou por algum tempo de cursinhos preparatórios para vestibular, nos quais as informações chegam mastigadas. Dentro da faculdade, temos que correr atrás. Além disso, o método da UEL é baseado não em aulas, mas em situações problemas que o professor passa e nós temos que resolver, comenta.
Nos primeiros anos, além do que está nos livros, os acadêmicos aprendem a conhecer as expectativas dos pacientes e a conversar com os mesmos, interagindo com a população até mesmo fora dos ambientes da universidade, em postos de saúde de Londrina, Cambé e Ibiporã. A partir do terceiro ano já começam a por a mão na massa para valer e, no quinto e sexto, com o internato, começam a fazer plantões.
É claro que existem problemas, como a baixa remuneração paga aos docentes pelo Estado que fazem com que haja dificuldades para encontrar professores em algumas áreas, como ultrassonografia. Por vezes, a supervisão dos alunos também fica prejudicada. A coordenadora Evelin Muraguchi, por exemplo, que tem dois vínculos com a universidade ganha três vezes mais como funcionária médica do que como docente. Mas o problema, garantem as alunas ouvidas pela FOLHA, é contornado pelo empenho de alguns professores e dos estudantes.
Quanto à avaliação, o curso que surgiu em 1967 como Faculdade de Medicina do Norte do Paraná e se integrou à UEL em 1970, tem um histórico de boas referências, como o conceito cinco estrelas no Guia Abril. Contudo, na última avaliação do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade), realizado em 2007, um boicote dos estudantes deu à Medicina da UEL a nota um numa escala que vai de um a cinco.
Para mim, o curso até aqui foi muito bom, surpreendente. O estudante se transforma durante os seis anos, fica mais maduro. Não se formam só médicos, mas pessoas, finaliza a também estudante do sexto ano Juliane Cavalheiro, 23. (W.S.)





