Curso entra no seu 11º ano
PUBLICAÇÃO
domingo, 06 de fevereiro de 2011
Bruno Boghossian<br>Agência Estado 
Rio Com grade curricular mínima de quatro semestres, seminários de artes cênicas, oficinas de psicologia, lições de higiene hospitalar e até estágio obrigatório, o curso de formação de enfermeiros-palhaços da Universidade Federal do Estado do Rio (UniRio) entra em seu 11º ano com expectativa de ter, mais uma vez, vagas esgotadas. As aulas fazem parte do programa da Escola de Teatro da instituição e prepara atores para trabalharem no atendimento a crianças em hospitais.
A atividade ganhou relevância nos últimos anos, passou a ser bem recebida por profissionais da área médica e gerou uma demanda por trabalhadores cada vez mais qualificados. Na UniRio, a disputa por vagas é tão grande que os alunos precisam passar por uma seleção antes de serem aceitos para as 10 novas vagas abertas a cada ano. O curso requer dois anos de aulas teóricas e práticas, mas muitos atores passam até sete anos em formação. Nos dez anos de curso, apenas 27 alunos se formaram a UniRio.
Não é um trabalho simples, pois envolve uma relação com crianças que estão fragilizadas por uma doença o que exige uma preparação, afirma a professora Ana Achcar, coordenadora do programa e autora de uma tese de doutorado sobre o tema.
Durante o curso, os alunos aprendem a aliar arte, psicologia e saúde com o objetivo de dar atenção e proporcionar bem-estar a crianças que, em muitos casos, enfrentam doenças terminais. Cada participante cria um personagem próprio nas aulas de teatro e desenvolve habilidades que o ajudam a ter um impacto positivo no cotidiano dos pacientes.
A existência de um curso universitário também ajudou a legitimar a figura do palhaço dentro do hospital, uma vez que alguns médicos e enfermeiros costumam enxergar os atores com ressalvas. Há uma tendência de ver o palhaço como uma figura transgressora, que vira a realidade de cabeça para baixo e até começa a interferir no trabalho do profissional da área médica. No entanto, o palhaço também faz um trabalho de saúde. Quando o médico percebe isso, ele encontra mais um parceiro para o seu trabalho.


