Curso ensina a alfabetizar
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sexta-feira, 15 de dezembro de 2000
Agência Estado De Brasília 
O Ministério da Educação (MEC) vai oferecer, a partir do ano que vem, um curso para ensinar professores a alfabetizar alunos de pré-escola, 1ª a 4ª série, jovens e adultos. O motivo é preocupante: o ministério concluiu que os professores, mesmo os que passaram pela universidade, não estão preparados para ensinar a ler e escrever.
Há uma lacuna geral na formação para a alfabetização, disse ontem o ministro Paulo Renato Souza, ao lançar o Programa de Formação de Professores Alfabetizadores. O curso terá duração de dez meses (160 horas) e será oferecido mediante convênio entre o MEC e secretarias Estaduais e Municipais de Educação. A meta é atingir 50 mil docentes em 2001.
Ao longo do ano, o ministério acompanhou e gravou em vídeo o trabalho de 14 professores em diferentes escolas. O resultado foram 800 horas com imagens do cotidiano de uma sala de aula, mostrando as dificuldades do processo de alfabetização. O trabalho resultou em 30 fitas de vídeo, que farão parte do material didático preparado para o curso.
Não é a condição sócio-econômica da criança que a faz aprender a ler e escrever, afirmou a secretária de Educação Fundamental do MEC, Iara Prado. O fator decisivo, segundo ela, é o ambiente cultural, ou seja, o contato com a linguagem escrita desde o nascimento. Assim, sai na frente quem vem de uma família onde o texto escrito faz parte do cotidiano, seja no bilhete deixado pela mãe na geladeira ou nos livros, revistas e jornais que circulam pela casa.
Iara Prado criticou o ensino superior voltado para o magistério. A formação inicial dos professores nas faculdades é muito teórica, disse. Das 2.400 horas de um curso de licenciatura, por exemplo, apenas 180 são destinadas à prática docente. Mas esse tipo de atividade terá de ocupar mais espaço nos currículos nos próximos anos, conforme decisão do Conselho Nacional de Educação.


