Curso do MST forma líderes
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 01 de agosto de 2003
Karine Rodrigues<br> Agência Estado 
Rio - O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) está aderindo, cada vez mais, aos bancos universitários como instrumento de luta. Hoje, um grupo de moradores dos acampamentos de Resende, Campos e Casimiro de Abreu, no Estado do Rio, terão seu primeiro dia de aula no curso ''Formação em Realidade Brasileira'', na Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói, no Grande Rio. Desde meados da década de 90, o MST já firmou parceria com 59 instituições de ensino superior para qualificar líderes e, com isso, fortalecer o movimento.
Após um bem-sucedido convênio com a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), que atendeu 100 dirigentes de todo o País, o MST decidiu repetir o curso em outros Estados. Roberta Lobo, do setor de formação do MST no Rio, explica que as parcerias já firmadas até agora incluem cursos de extensão, graduação e pós-graduação. Em junho, os sem-terra começaram uma pós em Estudos Latino-Americanos, na Federal de Juiz de Fora.
Para Virgínia Fontes, do Departamento de História da UFF, a universidade também sai ganhando com o convênio. ''É importante socializarmos o conhecimento produzido aqui. Também aprendemos com o MST, que tem uma dinâmica de trabalho de grupo'', diz, observando que o curso ''é de fôlego''. ''Serão quase 500 horas/aula''.
No currículo, direitos humanos, cultura, meio-ambiente, economia, história, e uma bibliografia formada por grandes pensadores brasileiros, como Sérgio Buarque de Holanda, Florestan Fernandes, Celso Furtado, Paulo Freire e Caio Prado Jr. A proposta, observa Virgínia, ''é ajudar os alunos a se organizar conscientemente.''


