São Paulo, 16 (AE) - Os motoboys - alvo de queixas de muitos motoristas que já tiveram o carro amassado ou espelhos retrovisores arrancados em ultrapassagens forçadas - são a principal clientela do curso ministrado no Centro de Treinamento em Educação de Trânsito da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). Até agora, 650 motociclistas fizeram o curso, o que é pouco, já que circulam 288.709 na capital paulista.
No curso, com 12 horas de duração, eles aprendem lições de comportamento no trânsito, de modo a evitar acidentes com eles e os outros. Estudam a legislação e aprendem a usar os equipamentos de proteção. Treinam habilidades com a moto, principalmente o equilíbrio nas curvas. Também aprendem a sinalizar sempre a intenção de manobrar e como posicionar-se na via.
"Eles são orientados a ocupar o lugar de um veículo, embora pelo código atual, infelizmente, possam trafegar entre os carros", diz a gerente de educação de trânsito da CET, Helena Raymundo. "Infelizmente, porque isso gera insegurança para todo mundo."
Os motociclistas são orientados a cuidar da manutenção da moto, a lidar com condições adversas da pista e do clima, como chuva e neblina. No curso, é abordada a influência dos fatores físicos e emocionais, como fadiga, álcool e drogas, no comportamento dos motorista. Têm aulas sobre relações humanas, cordialidade e autocontrole emocional. Tudo o que a maioria não tem, segundo os motoristas.
"Aloprados" - Sexta-feira, o jornalista Antônio Mafra contou que estava na Avenida Brigadeiro Faria Lima e um motoboy passou com o sinal fechado. "Um guarda o mandou parar, mas ele seguiu em frente, rindo e, na virada, cobriu a placa com a mão."
Mafra já teve dois retrovisores do carro estourados por motoqueiros. Uma vez, tentou anotar a placa, mas estava adulterada. "Acho que 99% dos espelhos que a gente vê pendurados pelos fios foram arrancados por motoboys."
Para o agente de turismo Fábio Aulísio, de 29 anos, que também já perdeu retrovisores e ouviu desaforos de motoboys, as motos deveriam ocupar no trânsito a mesma posição dos carros. Ele critica a "maneira aloprada como a maioria dirige" e as empresas que os contratam.
"Deveriam ter mais critérios porque muitos são perigosos marginais.", diz. "A situação parece totalmente fora de controle."
Considerando a frota, o curso da CET foi feito por menos de 4% dos motociclistas da cidade. O problema é que, embora seja gratuito, as empresas não pagam pela hora que o motoboy fica em treinamento. Como são autônomos, não vão. "As empresas deveriam incentivá-los a fazer o curso, já que muitos carregam nas costas o nome delas", diz Helena. "Todos lucrariam com isso."
Segundo a educadora, o aproveitamento dos que fazem o curso é excelente. "Uma empresa que pôs todo o seu efetivo de motoboys em treinamento conseguiu queda de 74% nos acidentes, em um ano. "Algumas mandam fazer e até exigem o curso, mas a maioria não paga as horas.
O curso é dado no Centro de Treinamento em Educação de Trânsito da CET, na Avenida Marquês de São Vicente, 2.154. Telefones: 3871-8606/8624.
Operações - Desde o mês passado, o Comando de Policiamento de Trânsito (CPTran) tem feito operações para reprimir infrações como falta de capacete, motos sem placas ou com placas ilegíveis e falta de documentação.
O CPTran tem recebido muitas reclamações do desrespeito de motoqueiros, informa o sargento da Polícia Militar, Valter Lins Iscol, relações-públicas do órgão. Segundo ele, como qualquer motorista, o motoboy está sujeito a punições que variam da advertência por escrito à cassação da carteira de habilitação. Fazer malabarismo, como dirigir numa roda só, é considerado infração gravíssima.

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