Marcos Borges‘Os verdadeiros paranormais não exploram a credulidade popular’Como explicar a capacidade de algumas pessoas de pressentir fatos que, um tempo depois, ocorrem como elas haviam previsto? Por que alguns têm poder para provocar a levitação de objetos, o abrir e fechar de portas ou até um incêndio? Confundidos muitas vezes com bruxarias, comunicação com os mortos e outras crendices, os fenômenos paranormais causados por pessoas com percepção extra-sensorial têm sido um desafio para a ciência. A Parapsicologia busca desvendar esses fatos e mostrar que a mente humana tem poderes não só para acumular milhares de conhecimentos e de criar maravilhas no mundo da arte, Física, Medicina e outras ciências. O cérebro humano também pode produzir fenômenos cuja compreensão vai além dos cinco sentidos. A Parapsicologia se vale de várias áreas do conhecimento humano, como Filosofia, Antropologia, Psicologia, Medicina, para embasar o estudo desses acontecimentos que fogem à chamada ‘‘normalidade’’.
Para disseminar informações sobre Parapsicologia científica e percepção extra-sensorial, a Paróquia Sagrados Corações de Londrina vai promover um curso esta semana, dias 18, 19 e 20, com o professor de Parapsicologia Fauze Kfouri. Será a partir das 19h30, na Paróquia. Durante o curso o professor vai fazer regressão de idade até o ventre uterino com os alunos. As inscrições custam R$ 15,00 e podem ser feitas na Secretaria da Paróquia Sagrados Corações, na rua Mato Grosso esquina com JK, e na Papelaria Central.
Formado em História Geral e do Brasil, Fauze Kfouri se especializou em Parapsicologia na Escola Superior de Parapsicologia e Psicanálise de São Paulo. Começou a trabalhar com regressão de idade em 1967. Fundou o Instituto Nacional de Pesquisas Psíquicas e Parapsicológicas de São Paulo e a Associação Profissional dos Parapsicólogos do Estado de São Paulo. É autor dos livros Raio X da Mente Humana; Regressão de Idade, Maravilha da Mente; Os Bisturis da Mente Humana; e Antologia do Pensamento Positivo. Esta semana, concedeu entrevista à Folha de Londrina, em que fala da percepção extra-sensorial e de regressão de idade.
Folha - O que é a Parapsicologia?
Kfouri - É a ciência que estuda a mente humana - que não deve ser confundida com a parte intelectiva (área do conhecimento humano). A mente - na Parapsicologia - é a energia do cérebro, capaz de produzir certos fenômenos que o tradicionalismo e academismo científicos nem sempre explicam. O cérebro pesa 1.360 gramas e teria capacidade, teoricamente, de nos dar energia para vivermos de 150 a 200 anos, assim como poderia controlar mil centrais telefônicas iguais a de São Paulo. Se tivéssemos em nossas mãos os recursos de todos os investimentos do mundo - US$ 15 sextilhões - ainda assim não seriam suficientes para construir um cérebro. Caso isso ocorresse, precisaríamos de no mínimo um milhão de kilowatts para obter as funções existentes no cérebro. Este mesmo cérebro, capaz de ter agentes programadores de todo o complexo psicofísico, produz certos fenômenos que, por desconhecimento, acabam conduzindo a pessoa ao campo das superstições, crendices e até do sobrenatural. Portanto, a Parapsicologia procura a valorização da criatura humana, mostrando o que ela realmente pode realizar e permitindo a melhoria da qualidade de vida, pois seria a busca do homem total e da consequente liberdade interior de cada um de nós.
Folha - O que estuda a Parapsicologia?
Kfouri - O objeto maior da Parapsicologia é a percepção extra-sensorial (PES) que independe de espaço, massa e tempo.
Folha - O que é a percepção extra-sensorial?
Kfouri - Didadicamente a dividimos em telepatia (perceber à distância), clarividência (visualizar coisas físicas à distância), precognição (previsão de fatos futuros), psicocinese ou telecinese (ação da mente produzindo efeitos físicos em nós mesmos ou fora de nós). No curso haverá demonstrações práticas de cada uma dessas percepções.
Folha - Essas manifestações estão presentes no nosso cotidiano?
Kfouri - O exemplo mais comum da percepção extra-sensorial é o fato de estar pensando em alguém e esta pessoa aparecer. Uma vez é coincidência. Quando ocorrem várias vezes, são fenômenos telepáticos. O cérebro de todos nós tem essa capacidade de percepção, mas nem todos manifestam esses fenômenos. Quem o faz é chamado de paranormal ou até médium. Um fato isolado não caracteriza que a pessoa seja paranormal. É necessária a continuidade manifestativa.
Folha - Por que algumas pessoas têm essas manifestações e outras não?
Kfouri - Não existe uma causa eficiente que possa identificar o porquê dessas manifestações em uns e não em outros. Pode, porém, ser genética. As mulheres manifestam com maior frequência esses fenômenos cuja sede seria o lado direito do cérebro, que é mais intuitivo.
Folha - Que uso se faz dessas manifestações?
Kfouri - As manifestações telepáticas têm sido utilizadas infelizmente até para processos de espionagem, como ocorreu na ex-União Soviética. O uso, entretanto, é incontrolável, ou seja, não ocorre no momento em que a pessoa queira. Se isso fosse realidade, seríamos semideuses. O controle se dá a partir do instante da manifestação, quer espontânea ou provocada (experimental).
Folha - E as pessoas que usam essas manifestações para fazer adivinhações e previsões?
Kfouri - Os processos mais usuais de exploração da credulidade popular se dão através das falsas previsões, como seja, os cartomantes, quiromantes, enfim essa gama de modismos e mâncias que burlam a confiança daqueles que buscam de modo especial as coisas mais materiais da vida. Existe o esperto porque existe o otário. Realmente existem pessoas que buscam coisas futuras ou dizem sobre nosso passado. Entre a realidade e a esperteza há um abismo em que caem os menos avisados, produzindo efeitos colaterais na própria existência humana.
Folha - Se o paranormal não tem controle sobre as manifestações, como deve agir?
Kfouri - Os verdadeiros paranormais geralmente não exploram a chamada credulidade popular. As pessoas que manifestam os fenômenos geralmente tornam-se inquietas, por isso há necessidade de um equilíbrio psicológico, que deve ser orientado por profissionais da área até da própria psicologia. Esse acompanhamento é necessário para evitar que as pessoas, por desconhecimento, fiquem desprovidas da tranquilidade no seu cotidiano.
Folha - Por que alguns paranormais fazem objetos levitar, portas abrirem-se sozinhas e outros fenômenos que chegam a ser assustadores?
Kfouri - Os fenômenos chamados poltergeist são oriundos dos processos excitatórios do campo energético do homem, ou seja, quando ocorre um fato que possa provocar excitabilidade das cargas nêuricas (dos neurônios). Por incrível que possa parecer, é um fenômeno de autodefesa, dado que se essa energia em excesso permanecer no corpo poderá ocasionar distúrbios de ordem orgânica. Para que haja o fim dessa manifestação, basta que se elimine a causa eficiente do problema que originou essa manifestação.
Folha - O que é regressão?
Kfouri - A regressão de idade nada mais é do que narração de tudo o que ocorre em nossa vida. Portanto, se é narrativa não há realmente uma regressão de idade cronológica, mas a visualização de fatos naquela idade. Ou seja, se no momento da regressão o regredido estiver com um ano de idade e o profissional morrer este regredido voltará à sua idade normal, pois a personalidade permanece. Se ela permanece, a pessoa só fala o que quer e só faz o quer quer. Caso contrário, todos os crimes poderiam ser desvendados. Consequentemente a pessoa não perde a sua identidade.
Folha - Qual a função da regressão?
Kfouri - A regressão não é panacéia de tudo. Em determinados casos pode curar, em outros, serve como terapia auxiliar e, em alguns casos, é ineficaz. A regressão também permite a formação humana (que é um dos objetos menores do curso), mostrando que a responsabilidade paterna na gravidez em grande parte é maior que a materna. A mãe está com seu conteúdo psicofísico e hormonal alterado e de repente encontra um homem que lhe dá um pontapé no ventre. Na verdade, todos nós quisemos amor e ternura quando estávamos no ventre de nossa mãe. Por que então não podemos fazer o mesmo? Foi-me narrado um caso de uma mãe que contratou uma parteira para fazer aborto e ambas foram embaixo de uma palmeira, juntamente com o pai, para fazer o aborto. Em determinado momento a mãe desistiu da idéia por medo de sentir dores. A filha cresceu e não podia ver palmeira na sua frente. Um outro caso ocorreu em 1973, quando dei o curso em Sertanópolis. Uma moça, durante a regressão, chorou quando lembrava do segundo mês de sua gestação. Nesse momento da regressão, ela me falou ao ouvido: ‘‘Papai não gosta de mim. Ele não quer que eu fique aqui. Por que? Não estou fazendo nada para ele’’. Depois que ajudei a moça a aliviar o processo traumático, um senhor se levantou e num gesto de grandeza disse que era o pai da moça e que sabia porque ela havia chorado no segundo mês. Ele era casado pela segunda vez e não queria ter mais filhos. Induziu então sua esposa para o aborto. No último momento nem a mãe nem o médico desejaram que isso ocorresse e não fizeram o aborto. Aí publicamente - para dar exemplo - o senhor pediu desculpas à sua filha.
Folha - Mas esse tipo de sessão coletiva não causa constrangimento entre os participantes do curso?
Kfouri - Quero ressaltar que só eu sabia o que a moça havia me dito ao ouvido. A manifestação do pai foi espontânea, portanto, não houve constrangimento algum, mas a tentativa de dar exemplo de lições de vida. O ventre de uma mulher grávida é igual ao sacrário de uma Igreja. Na falta da hóstia, está um ser humano que quer carinho, amor e ternura. Se todos vissem uma regressão de idade, com fins de formação humana, teríamos um mundo melhor e não apenas teoricamente melhor. Se o marido dá um beijo no ventre de sua esposa grávida, o ato vale mais do que muitas teorias. Em Santo Antônio da Platina, durante a regressão uma moça disse ‘‘Papai gosta de mim e me ama’’ porque o pai beijou o ventre da mãe dela quando soube que a esposa estava grávida. É preciso lembrar que o ser humano está sempre à procura de afeto. O resto é o resto. A verdadeira Parapsicologia científica é aquela que procura a anterioridade do ser humano, ou seja, que busca os valores mais altos da pessoa.
Folha - Como é o processo de regressão?
Kfouri - Para que haja regressão, há necessidade de a pessoa entrar pelo menos entre os ritmos alfa e beta no cérebro, entre 14 e 7 ciclos por segundo. Nem todos conseguem fazê-lo. Mesmo que esteja dentro dessa frequência se houver um mínimo de resistência nada ocorrerá. Existe uma técnica específica para regredir. Existe a regressão para fins de demonstração, que uso no curso, e a terapêutica. Sou pioneiro em regressão em Londrina, no início da década de 70. Na regressão terapêutica, há necessidade de reeducação emocional de cada trauma que surge. Caso contrário, não teria maiores efeitos. Por regressão, portanto, e desde que as origens sejam traumáticas (trauma em grego significa ferida), podemos encontrar a etiologia dos problemas como medo, fobia, complexos, certos tipos de depressão. Enfim, toda gama negativa que cerceia a liberdade do homem, mergulhando-o no mundo do sofrimento e desequilíbrio, quer na órbita social ou familiar. Na verdade, a regressão deve ser vista não apenas em si mesma, mas o que ela realmente representa - atrás de si. O que se deve buscar no processo regressivo é a mensagem do bem maior, que é o equilíbrio e a simbiose entre pais e filhos - nunca de osmose.
Folha - A regressão pode chegar às vidas passadas, como acreditam os espíritas?
Kfouri - A regressão de vida não deve ser confundida com os processos ditos reencarnacionistas. Se um japonês mantém as características físicas e os valores de seus antepassados, por que só a memória estaria fora do contexto de formação do ser humano como um todo? Em que instante, então, surgiria a memória? Na fecundação, no terceiro mês de gestação, no nascimento? Portanto, quer nos parecer - salvo melhor juízo - que outras vidas não são necessariamente uma reencarnação. Na verdade, o processo regressivo mostra que a memória vem por consanguinidade genética, o que é mais científico e confortável.
Folha - A Parapsicologia não aceita a teoria da reencarnação, mas como ela analisa o exorcismo, que teoricamente seria a expulsão do demônio do corpo humano?
Kfouri - Se o demônio existe ou não é problema de dogma ou doutrina. Em 99% das chamadas possessões demoníacas, há problemas psíquicos. O 1% restante fica por conta da doutrina e da credibilidade confessional. Nesses casos, pode haver existência de qualquer outra força que não se encontra dentro da fenomenologia psíquica ou psicológica. Não se trata de negar mas de interpretar. Quando entra na parte doutrinária, uns acreditam, outros não. Entrar nessa discussão religiosa não leva a nada. Quando existe por parte da Igreja uma ação exorcista, a presença do padre pode acalmar a pessoa que estaria ‘‘tomada’’. Já tive três casos de pessoas que estariam ‘‘possuídas pelo demônio’’. Em dois deles, tratei com êxito. O outro não foi possível. Um dos casos em que consegui controlar foi em Vilhena (RO). Era uma moça que havia sido abandonada pelo noivo e tinha crises, que diziam que estava ‘‘tomada’’. Eu estava na cidade dando curso e fui levado até a moça no momento em que estava alterada. Demorou pouco mais de uma hora para resolver a situação. A outra vez foi em Itajaí (SC). Um garoto voltou de um terreiro de quimbanda e começou a ter acessos. Me chamaram e a crise foi controlada 40 minutos depois. Esses dois casos eram problemas psíquicos. Um terceiro foi aqui no Paraná, em Ampere (sudoeste). Uma menina de 12 anos achava que estava possuída pelo demônio. A família dela vivia na extrema miséria e ela se prostituía para sustentar a casa e dizia que gostava de fazer filho. Quando fui à casa dela, junto com um sacerdote, uma irmã e uma assistente social, a garota estava normal, sem qualquer manifestação diferente. Nós apenas conversamos. Pelo contato que tive, percebi que era um problema gravíssimo e que ela precisava de um aconselhamento psicológico e o poder público deveria tomar uma atitude porque a família vivia sério problema financeiro.

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