Curso busca o equilíbrio pessoal
PUBLICAÇÃO
sábado, 12 de julho de 1997
Curitiba 
Kraw PenasBarros: Na prática a coisa é um pouco diferenteO tema do primeiro curso de atualização policial, promovido na semana passada pela Secretaria Estadual de Segurança Pública, deixa claro o novo comportamento pretendido pela Polícia Civil. Durante três dias, os policiais discutiram As Relações Sociais no Trato com a Instituição e com o Público, e abordaram assuntos como resistência a mudanças, busca da harmonia independente das circunstâncias, e o homem em equilíbrio mesmo frente ao caos. Para agosto, a Escola da Polícia Civil está preparando cursos de Direitos Humanos, Ética Profissional e Desempenho Profissional.
Além da parte teórica, o curso de Relações Sociais teve também exercícios que incluíam abraços, mãos unidas e leitura de olhares - práticas humanísticas certamente pouco comuns nas delegacias. A professora, a socioterapeuta Maria Cristina Martins da Silva Tezza, explica que as palestras foram centradas em palavras-chave como dignidade e harmonia. A intenção é conseguir fazer os policiais agirem com consciência no dia-a-dia, diz.
Ela acredita que a falta de equilíbrio do policial é a maior razão para os desgastes diários e consequentes falhas nas operações. Mesmo assim, casos como o do assassinato do estudante Rafael Zanella e da violência dos policiais militares em Diadema (SP) não foram citados.
A principal recomendação dada pela socioterapeuta é que os profissionais procurem agir sempre pensando nas necessidades das pessoas em volta. É preciso que se esteja aberto ao outro, sem conceitos previamente formados, teoriza. Na mesma linha de pensamento, Maria Cristina afirma que o importante é que os policiais estejam conectados consigo mesmos, evitando tensões.
Um dos participantes, o investigador Celso Salvador Barros, acredita que o maior benefício do curso foi o aprendizado de como entender o funcionamento da mente do próximo. O principal problema do trabalho policial, segundo o investigador, é o estresse cotidiano. Chega uma hora em que resumimos o mundo a um jogo de polícia e ladrão, desafaba.
Para Barros, que antes de ser policial foi menino de rua, o trabalho nas delegacias é sempre acompanhado de medo. Não sabemos se quem está vindo nos procurar quer apenas dar uma queixa ou nos fazer de reféns para liberar os presos, diz. Por isso ele, que trabalha como policial há 20 anos, acredita que o curso foi útil para ensinar como tentar corrigir os excessos de tensão. Mas na prática a coisa é um pouco diferente, diz.


