Curitibanos estão no ranking dos pedestres mais velozes
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quarta-feira, 02 de maio de 2007
Andréa Lombardo<br>Equipe da Folha 
Curitiba- Os curitibanos estão entre os pedestres mais velozes do mundo, ocupando a sexta posição no ranking de 32 cidades pesquisadas pela Universidade de Hertfordshire, de Londres. A velocidade de caminhada só foi maior em Cingapura (Cingapura), Copenhague (Dinamarca), Madri (Espanha), Guangzhou (China) e Dublin (Irlanda). O estudo britânico mostrou que, globalmente, o ritmo dos pedestres aumentou 10% em 10 anos.
Os autores do estudo mediram o tempo que 35 adultos levaram em cada uma das cidades para percorrer 18,3 metros a pé. Os resultados foram comparados a estudo semelhante realizado pela Universidade da Califórnia, há dois anos, pelo professor Robert Levine. A comparação mostrou que, em Cingapura -a cidade mais veloz-, a rapidez do caminhar de seus moradores aumentou 30%.
Os pedestres mais lentos foram encontrados em Blantyre (Maláui), onde o tempo gasto (31,60 segundos) foi quase três vezes maior que o desempenhado pelos líderes do ranking (10,55 segundos). Em Manama (Barein), os moradores, também, demonstraram maior tranquilidade no caminhar, fazendo o percurso em 17,69 segundos: tempo 68% superior aos de Cingapura.
''O ritmo de vida em nossas grandes cidades é bem mais rápido do que antes'', explicou o professor de psicologia Richard Wiseman, da Universidade de Hertfordshire, ao comentar os resultados do estudo em entrevista à Agência Reuters, de Londres. ''Esta aceleração vai afetar mais as pessoas que o normal, porque pela primeira vez na história a maioria da população do planeta vive em centros urbanos'', acrescentou.
Para o estudioso, a aceleração do homem moderno está relacionada, também, à velocidade com que avança a tecnologia. ''Nós apenas temos esse sentimento de que devemos estar produzindo e ativos o tempo todo'', disse ele. ''Isto é estimulado pela cultura do e-mail, do texto, do telefone celular'', avaliou.
A reportagem da Folha foi às ruas de Curitiba em busca dos apressadinhos. Depois de cinco tentativas frustradas de parar os pedestres, a equipe decidiu entrevistar quem não demonstrava tanta pressa assim. ''Eu não ando. Eu tiro racha'', brincou a advogada Francismery Mocci, ao concordar que o curitibano corre contra o tempo. ''Chego a ficar irritada com as pessoas que passam devagar na minha frente. Ainda mais quando estou na preferencial!'', emendou.
A também advogada Ana Paula Smanhotto atribui o passo acelerado ao ritmo de vida nos grandes centros urbanos. ''Temos horário a cumprir'', afirmou ela, admitindo que, mesmo durante a folga, acaba imprimindo o mesmo ritmo frenético. ''A gente incorpora a pressa. Sei que não é saudável, mas não tem jeito'', revela.
O cardiologista Costantino Costantini lembra que diferente da caminhada feita como atividade física regular, em que é liberada a endorfina, ao andar apressado porque se está atrasado ou com muitos compromissos, o organismo libera adrenalina. A substância aumenta a frequência cardíaca e a pressão arterial, sobrecarregando a atividade do sistema cardiovascular. A recomendação do médico é simples: ''disciplina'' para administrar o tempo e os compromissos e não se estressar.


