Curitiba- A capital paranaense produz cerca de 2,5 mil toneladas de lixo por dia. Cerca de 504 toneladas (20%) são materiais reciclados. Os catadores de papel fazem a coleta da maior parte do material (445,5 toneladas) e o caminhão do programa ''Lixo que não é Lixo'' se encarrega do restante (58 toneladas). Estimava-se em 1999 que cerca de 2,7 mil catadores de papel circulassem pelas ruas de Curitiba. A ONG Ecologia Urbana acredita que hoje são mais de 10 mil.
Há cinco meses foi lançado o primeiro Comitê de Cidadania dos Catadores de Materiais Reciclados de Curitiba, no bairro Santa Felicidade, onde existem mais de 190 carrinheiros. A intenção é aproximar os catadores de papel da população e dos empresários de reciclagem, pondo fim aos atravessadores (que compram o material a preços baixos e vendem superfaturados aos empresários). ''Eles (os carrinheiros) eram quase escravos dos atravessadores. Estamos mostrando que se estiverem juntos, vendendo direto ao empresário, eles vão conseguir preços melhores. Ninguém precisa do atravessador'', disse a veterinária Cynthia Hauer, coordenadora da educação ambiental da Secretaria de Meio Ambiente de Curitiba.
Os carrinheiros são orientados a não abrir o lixo das residências em busca de material. Os moradores também recebem orientação. ''Pedimos que eles (moradores) separem o lixo e guardem este lixo para os carrinheiros. Eles são fundamentais para que o meio ambiente possa ser cada vez mais respeitado'', disse ela. A intenção é que as nove regionais de Curitiba façam também comitês que auxiliem o trabalho dos carrinheiros em toda a cidade.
Os comitês são responsáveis ainda por orientações de saúde (riscos com leptospirose) e por ouvir reclamações (carrinheiros querem ser reconhecidos profissionalmente e estão pedindo a doação de luvas e coletes que os identifique). Os problemas levantados podem ser solucionados em parceria com empresas e ONGs.(L.P.)

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