Curitiba- Um ato junto ao memorial ao sem-terra Antônio Tavares Pereira, na BR-277 entre Campo Largo, na região metropolitana, e Curitiba marcou o início da jornada nacional de luta pela reforma agrária do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) no Paraná. O sem-terra foi morto em um confronto com a Polícia Militar (PM) no dia 1º de maio de 2000. O 17º Encontro Estadual do MST, que também comemora os 20 anos de organização no Paraná, reunirá, durante esta semana, em Curitiba, cerca de 5 mil coordenadores dos assentamentos e acampamentos de sem-terra existentes no Estado. A programação inclui palestras e debates sobre temas variados, mas com enfoque principal nas políticas de reforma agrária.
O MST quer agilidade nos processos de desapropriação de terras e implantação dos assentamentos, reafirmou, ontem, o coordenador estadual do MST, Roberto Baggio. O Paraná, segundo ele, tem entre 12 e 15 mil famílias de sem-terra vivendo em acampamentos. Ele não fala abertamente se o MST no Paraná vai seguir a orientação da coordenação nacional de intensificar as ocupações de terra este mês, mas admite que essa é uma das armas do movimento para pressionar o governo federal a desencadear a reforma agrária. A intenção, segundo Baggio, é reunir representantes dos governos federal e estadual, na quinta-feira, para apresentar as reivindicações do movimento.
Baggio voltou a afirmar que não concorda com o planejamento do Incra do Paraná de promover o assentamento de 3 mil famílias este ano, chegando a 10 mil até o final do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O MST, segundo ele, quer que a totalidade das famílias cadastradas seja assentada em 2004. Para o coordenador, existe vontade política e recursos para isso. ''O orçamento é o maior da história no Incra'', destacou. O governo federal anunciou há cerca de duas semanas a liberação de uma verba suplementar de R$ R$ 1,7 bilhão que, somada ao orçamento previsto, chega a R$ 3,1 bilhões neste ano para atender a demanda de todo o País.
Ontem, cerca de 65 ônibus vindos de diversas partes do Estado já estavam em Curitiba. Os trabalhadores rurais sem-terra estão alojados em um dos pavilhões do Marumby Expo Center. Foram instalados banheiros e uma cozinha foi improvisada embaixo de uma lona. Em outro pavilhão acontecerão as palestras.
Hoje, o coordenador nacional do MST, João Pedro Stedile, e Plínio de Arruda Sampaio, que participou da elaboração do Plano Nacional de Reforma Agrária, participam do encontro. Segundo Baggio, eles farão uma leitura da atual conjuntura política e econômica e da necessidade de mudar o modelo econômico no País. As lideranças do MST tentam convencer o governo federal que a reforma agrária deve estar contemplada nesse modelo como uma alternativa de produção de alimentos e geração de empregos.

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