Curitiba - A onda de violência que toma conta do transporte coletivo das grandes cidades motivou a realização de um seminário de defesa pessoal israelense exclusivamente voltado a lidar com agressões em ônibus, trens, BRTs e metrôs. A atividade, comandada pela Federação Sul Americana de Krav Maga, aconteceu em Curitiba, no último domingo (22), e contou com a participação de um dos três mestres brasileiros da modalidade, Jacques Danon, que veio do Rio de Janeiro para a ocasião. De acordo com ele, a ideia é repetir a ação em outras capitais.

Após o treinamento prático em academia, os alunos entraram em um coletivo real, levado ao Centro de Krav Maga do Paraná, onde os professores simularam diversos tipos de ataque. Conforme Danon, o objetivo é mostrar que o cidadão, independentemente de força física, sexo ou idade, pode garantir a sua volta para casa em segurança, a partir de um treinamento correto e bem executado das técnicas. "O ambiente confinado impede que a gente execute alguns tipos de defesa. Por isso a importância das simulações específicas, de ameaça de faca, arma de fogo, roubo e outras", explicou.

Imagem ilustrativa da imagem Curitiba recebe seminário de defesa pessoal no transporte público
| Foto: Federação Sul Americana de Krav Maga/Divulgação



O Krav Maga foi desenvolvido na década de 1940, por Imi Lichtenfeld, em Israel, para permitir a qualquer pessoa exercer o direito à vida. Os praticantes explicam que não se trata de uma arte marcial, e sim da única arte reconhecida mundialmente como arte de defesa pessoal. Não há competições, campeonatos ou medalhas . Em casos de treinamento mais avançado, as pessoas aprendem até mesmo a desarmar e se defender de assaltantes. Hoje, civis e militares adotam a modalidade no mundo inteiro.

No final de setembro, a Sesp (Secretaria de Estado da Segurança Pública e Administração Penitenciária) chegou a convocar uma reunião com os demais órgãos de segurança para definir políticas mais coordenadas visando a combater a violência no transporte coletivo de Curitiba e região. Em dois meses, quatro pessoas morreram, incluindo Larissa Morgana Ferreira, de 24 anos, baleada durante troca de tiros em uma linha de Campo Magro, no Jardim Viviane. Neste período, ao menos sete arrastões foram registrados, além de inúmeros assaltos e agressões.

Na época, o secretário Wagner Mesquita atribuiu o alto número de casos a uma mudança de comportamento dos bandidos, que teriam migrado de outras categorias de crimes, como assaltos a shoppings e farmácias. A Sesp então prometeu reforçar o policiamento em linhas, estações e terminais com maior incidência de violência. Também se comprometeu a trabalhar de forma conjunta com as polícias Civil e Militar e a Guarda Municipal, que faz o atendimento imediato.

Depois de protestarem por diversas vezes, motoristas e cobradores se disseram satisfeitos com o primeiro passo das duas esferas de governo. Entretanto, seguem defendendo a criação de uma delegacia especializada em crimes no transporte coletivo, nos moldes da que já existe em Porto Alegre (RS), e a instalação de câmeras de segurança com monitoramento 24 horas em todos os ônibus e nas estações-tubo, ligadas diretamente com o policiamento.

ASSÉDIO SEXUAL

Em 2014, foi criada a campanha Busão sem Abuso na capital paranaense. A vítima faz a denúncia na hora ao motorista e ao cobrador e liga para a Guarda Municipal informando detalhes da linha, bem como descreve o ocorrido para que seja feita a interceptação do ônibus e o abusador seja detido na hora.

mockup