Curitiba planeja ações para não depender de revisões de lotes
Londrina - A aposentada Dulce Ana Guerra Norte, de Curitiba, está há anos esperando para adquirir um lote no Cemitério Municipal do Água Verde. Em uma lista da prefeitura, consta que ela apresentou o pedido em 2007. Entretanto, Dulce alega que está na espera "há 12, 13 anos".
"É um absurdo, a gente paga imposto, faz inscrição (para adquirir um lote), e ninguém dá satisfação, você nem fica sabendo se tem vaga ou não", critica. "Outras pessoas que conheço também fizeram inscrição e estão esperando." Dulce relata que nos últimos anos sua mãe e o irmão morreram, e ela teve que recorrer a cemitérios privados, um em Curitiba e outro na Região Metropolitana. "Particular é sempre mais caro", diz a aposentada.
Nos quatro cemitérios municipais de Curitiba - Boqueirão, Santa Cândida, São Francisco de Paula e Água Verde -, não há lotes disponíveis prontamente. No ano passado, a prefeitura divulgou uma lista de espera dos interessados em vagas nesses cemitérios. Eram aproximadamente mil famílias inscritas, algumas aguardando há mais de 10 anos.
Patrícia Rocha Carneiro, diretora do Departamento de Serviços Especiais da Secretaria Municipal do Meio Ambiente de Curitiba, afirma que as vagas nos cemitérios municipais da Capital são abertas por meio de revisões periódicas de lotes, que identificam túmulos abandonados ou irregulares, e também com eventuais devoluções. "Este mês, a fila do Santa Cândida foi zerada", diz Patrícia.
No momento, as inscrições para entrar na lista de espera dos quatro cemitérios municipais estão suspensas. Famílias que não estão na relação e não têm condições financeiras de pagar por um jazigo em um cemitério particular podem utilizar as chamadas vagas de emergência (são cerca de 50 disponibilizadas por mês), mas elas só podem ser usadas por três anos depois, é necessário encontrar um lote permanente.
Segundo a diretora, quem não tem terrenos em cemitérios municipais e não encontra opções nos paroquiais muitas vezes recorre a necrópoles particulares na Região Metropolitana, que praticam preços mais baratos que os cemitérios privados de Curitiba.
A prefeitura planeja reabrir em breve as inscrições para a lista de espera, mas cogita aceitar apenas solicitantes residentes em Curitiba. A administração municipal planeja três ações para não depender exclusivamente das revisões de lotes: a ampliação do Cemitério do Boqueirão, a construção do Cemitério da Zona Sul, em uma área do município localizada dentro de uma necrópole particular com quem era mantido um convênio, e um crematório municipal, que está em estudos. "Com essas ações, acredito que conseguiríamos zerar a demanda das pessoas que têm mais necessidade", afirma Patrícia. (F.G.)





