Curitiba faz mutirão de teste rápido de HIV
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sexta-feira, 07 de abril de 2006
Maigue Gueths<br>Equipe da Folha 
Curitiba- Meia hora. É esse o tempo máximo que as pessoas que participarem hoje da Campanha Municipal de Teste Rápido para Diagnóstico do HIV, que está sendo realizada na Capital, terão que esperar para receber o resultado de seu exame. Essa é a primeira vez que é feita uma campanha em sistema de mutirão com uso do teste rápido para diagnóstico da infecção pelo HIV. A expectativa é que entre 5 mil a 8 mil pessoas procurem as 26 unidades de saúde que estarão abertas no dia de hoje exclusivamente para atende a população interessada em fazer o teste.
A princípio, o diagnóstico rápido ficará restrito à Curitiba, cidade escolhida pelo Ministério da Saúde para o lançamento nacional do teste. Só a partir de junho, o procedimento será estendido aos Centros de Testagem e Aconselhamento (CTAs) de todas as capitais do País.
Segundo a diretora do Programa Nacional de DST e Aids Mariângela Galvão Simão o teste rápido é a opção ideal para locais de difícil acesso ao diagnóstico. ''Muitos fazem o teste e não voltam para buscar o resultado, principalmente quando demora muito'', diz.
Em Curitiba, o resultado do teste pelo método mais tradicional, o Elisa, demora cinco dias. Mas a média de diagnóstico do País é de 17 dias, sendo que em alguns locais o resultado demora até 40 dias. O custo é um dos empecilhos para estender o teste rápido. Cada teste custa entre R$ 17 a R$ 20 contra R$ 3 pelo Elisa.
Outro problema, segundo o prefeito em exercício de Curitiba e secretário municipal da Saúde, Luciano Ducci, é a qualificação de pessoal, uma vez que o diagnóstico errado exigiria técnicos capacitados em todas as unidades onde for implementado.
O lançamento oficial da campanha acontece hoje, às 10h30, na Unidade de Saúde Ouvidor Pardinho, com a presença do ministro da Saúde Agenor Álvares. A partir de segunda-feira, o diagnóstico rápido será realizado apenas no Centro de Atenção e Aconselhamento (COA) da Secretaria Municipal de Saúde. As demais unidades de saúde continuarão usando o sistema Elisa.
O diagnóstico rápido é feito por meio de uma nova técnica laboratorial que permite informar o resultado cerca de 30 minutos depois da coleta do sangue. Para se submeter ao teste é preciso ter no mínimo 14 anos e ir em qualquer uma das 26 unidades entre 8 e 17 horas.
Quatrocentos profissionais de saúde estarão prontos para conversar com cada pessoa e, depois, recolher as amostras de sangue. A coleta é feita só com uma picada no dedo.
Os resultados serão informados confidencialmente. A estimativa é que menos de 1% das amostras testadas sejam HIV positivo. As pessoas que tiverem esse resultado serão encaminhadas, dependendo do caso, para acompanhamento médico e tratamento com medicação antiretroviral.
Segundo o secretário, a realização do teste é muito importante. ''O diagnóstico precoce possibilita um melhor tratamento, com mais qualidade de vida além de reduzir a transmissão para outras pesoas'', diz.
Desde que a Aids começou a ser monitorada em Curitiba, em 1984, foram registrados 7.550 casos (5.093 homens e 2.457 mulheres), com 2.277 óbitos. Hoje, no município, cerca de 3,2 mil pessoas estão sob acompanhamento médico e fazem tratamento com medicamentos. No Brasil, desde 1980 foram registrados 372 mil casos, sendo que 170 mil pessoas fazem tratamento.


