Curitiba faz mapa da prostituição infantil
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 10 de março de 2003
Maigue Gueths<br> Equipe da Folha 
Curitiba Crianças e adolescentes entre oito e 18 anos são exploradas sexualmente em Curitiba em pelo menos 29 pontos da cidade, entre ruas, bares, lanchonetes e outros estabelecimentos comerciais. A Regional Matriz (que reúne os bairros mais centrais), com oito pontos de prostituição, tem a maior quantidade de menores explorados sexualmente. Já na Regional Pinheirinho, no sul da Capital, foi identificado o maior número de locais de prostituição, com nove pontos mapeados.
Os focos de prostituição foram mapeados pela Prefeitura de Curitiba a partir de dados coletados pela Rede de Enfrentamento à Violência Sexual do município e apresentados ontem de manhã. Além desses 29 locais onde a exploração sexual de menores já foi comprovada, a rede está apurando denúncias sobre a existência de vários outros pontos.
O objetivo da prefeitura é acabar com esses pontos de prostituição no prazo de um ano. Hoje, o Centro de Atendimento às Vítimas de Violência Sexual presta cerca de 300 atendimentos por mês, seja por abuso ou exploração sexual. Destes, 90% correspondem a abuso sexual. Dos 300 atendimentos, 200 são meninas e 100 garotos.
O mapeamento da exploração sexual seguiu a disposição administrativa do município, que é subdividido em oito regionais. Uma das conclusões, segundo Francine Wosniak, diretora do Departamento de Integração Social da Criança e do Adolescente da Secretaria do Adolescente, é a diversidade de condições com que a exploração sexual acontece, o que exige ações diferenciadas de ação.
''Isso dificulta também o combate à exploração, porque você pode fechar estabelecimentos que permitem e promovem a prostituição, mas é difícil agir numa rua, por exemplo. Ali, só se você conseguir um flagrante de quem vem procurar os menores'', disse Francine.
Ela lembrou que o combate à prostituição passa também pelo combate ao tráfico de drogas e meios de geração de renda. Nesse sentido, ela ressalta os trabalhos de prevenção, como a retirada das crianças da rua e encaminhamento a programas municipais, além do serviço constante de pessoas da comunidade e equipes de abordagem junto aos adolescentes.
A Rede de Enfrentamento inclui denúncias feitas pelo telefone 156, dados dos Conselhos Tutelares de Menores, Central de Resgate Social, equipes de abordagem nas ruas, além da identificação dos menores por funcionários do município e comunidade.
Ontem de manhã foi inaugurada a nova sede do Centro de Referência no Enfrentamento da Violência Sexual. O órgão é ligado à Secretaria Municipal do Adolescente, responsável pelo encaminhamento e tratamento terapêutico de menores e famílias em casos de violência ou exploração sexual. A reestruturação do centro, que funcionava há cerca de um ano na sede da Organização Não Governamental (ONG) Centro de Convivência Menina Mulher, ampliou as instalações e quantidade de profissionais, aumentando a capacidade de atendimento.


