Curitiba faz festa para o imperador
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sexta-feira, 06 de junho de 1997
Lorena Aubrift Klenk, 
de Curitiba
Com atraso de uma hora em relação ao horário previsto, o imperador japonês Akihito e a imperatriz Michiko foram recepcionados ontem, em Curitiba, por cerca de 400 pessoas no Palácio Hyogo, entre integrantes da colônia nipo-brasileira e moradores da Favela da Vila Pinto - que durante a maior parte do tempo foram mantidos pela Polícia Montada no lado oposto da avenida àquela por onde chegou o casal. Enfrentando muito frio, crianças e idosos esperaram o casal com flores, pequenas bandeiras do Japão, broches luminosos que mesclavam as cores dos dois países e muitos gritos de banzai (saúde e vida longa).
O casal desembarcou no Aeroporto Afonso Pena às 18h38, 28 minutos depois do horário marcado. Ao descer do Jumbo 347-400 da Japan Airlines e pisar no tapete vermelho estendido na pista, o casal imperial foi cumprimentado pelo governador Jaime Lerner, acompanhado da esposa dele, Fani.
Depois, o casal recebeu uma saudação, em japonês, do prefeito de Curitiba, Cássio Taniguchi, filho de imigrantes que vieram do Japão na década de 30. Segundo o prefeito, que estava com a mulher, Marina, no rápido diálogo que tiveram o imperador comentou que, na véspera, encontrou em São Paulo um irmão da Taniguchi, Célio, que exerce um cargo de direção na USP.
O atraso maior ocorreu no trajeto até Curitiba, percorrido em baixa velocidade para que, da Mercedes cor prata blindada que os conduzia, o imperador e imperatriz pudessem acenar para as pessoas que esperavam a passagem da comitiva nas ruas.
Na chegada ao Palácio de Hyogo - uma construção de madeira com jardins orientais inaugurada ano passado-, a banda da Polícia Militar executou a canção Amigo, de Roberto Carlos. A imperatriz usava um vestido de tom rosado, com uma pelerine (espécie de capa), chapéu no mesmo tom, sapatos beges e um broche dourado. O imperador vestia terno azul escuro.
Depois de ser recepcionado pelo deputado federal Antônio Ueno (PFL/PR), o casal conversou com os pais do secretário estadual do Meio Ambiente, Hitoshi Nakamura, que vieram do Japão para o Brasil há 20 anos e praticamente não falam português. Kioshi Nakamura, de 81 anos, e a mulher Seiko, de 72 - vestida com um quimono típico-, estavam emocionados.
O casal imperial conversou também com Hitoshi e com o presidente da Coordenação da Região Metropolitana, Luiz Hayakawa, que há poucos meses descobriu em sua árvore genealógica pontos comuns com o imperador. Depois, recebeu explicações sobre o projeto do Parque Palmital, que será criado em São José dos Pinhais e terá referências à amizade entre Brasil e Japão.
O imperador recebeu uma placa alusiva ao lançamento do projeto e a imperatriz foi homenageada com orquídeas entregues pela menina Larissa Miura, de 5 anos, da terceira geração de japoneses no Brasil. Ao lado dela estavam o consultor Leonardo Yoshii, de 28 anos, e a publicitária Andriete Soejima, de 24, que em 1978, na visita do então príncipe Akihito a Arapongas, cumpriram o mesmo papel entregue ontem a Larissa.
O casal imperial apreciou ainda um monumento de granito de 15 toneladas, no qual o embaixador japonês no Brasil, Chihiro Tsukada, gravou com um pincel a inscrição Hei sei, que significa paz na terra e paz no céu.
A permanência no Palácio Hyogo durou 15 minutos. Ao som de Aquarela do Brasil, o casal imperial deixou o local em direção ao Hotel Bourbon, onde a comitiva, de cerca de 100 pessoas, ocupa 14 dos 16 andares. Hoje cedo, o casal visita uma propriedade rural em São José dos Pinhais e depois será recepcionado pelas autoridades locais para um almoço no Jardim Botânico. À tarde, receberá as homenagens da colônia nipo-brasileira no pavilhão do Parque Barigui. O casal imperial embarca às 10h25 de amanhã para o Rio de Janeiro, depois de visita um Farol do Saber no bairro Uberaba.


