Curitiba pode ser o próximo foco da epidemia de cólera que já contaminou 301 pessoas e matou três em Paranaguá. A Secretaria municipal de Saúde informou ontem que 30 casos suspeitos estão sendo investigados na capital. De acordo com o secretário municipal, Luciano Ducci, as supostas vítimas estiveram no litoral do Estado durante o feriado de Páscoa. Segundo ele, se confirmado o contágio, ele se deu em função do consumo de frutos do mar.
Os pacientes sob investigação tiveram diarréia e vêm procurando tratamento desde a segunda-feira nos postos de saúde da Matriz e dos bairros Novo Mundo, Boqueirão, Portão e Cajuru. Ducci afirmou que ninguém foi internado por causa dos sintomas. ‘‘Todos tinham diarréia precoce’’, observou. O secretário ressaltou que essas pessoas moram em áreas que dispõem de sistema de saneamento básico, o que, para ele, diminui o risco de proliferação da doença.
A previsão de Ducci é de que os primeiros resultados dos exames colhidos dos pacientes possam ser conhecidos hoje ou, no máximo, na segunda-feira, para confirmar ou descartar a presença da cólera entre habitantes de Curitiba. Cauteloso, o secretário concedeu entrevista ontem à tarde procurando enfatizar que a capital ainda não pode ser inserida no mapa da epidemia de cólera registrada em Paranaguá. ‘‘No momento, não existe possibilidade de surgimento do surto de cólera em Curitiba. Se algum caso for confirmado, é porque foi importado de Paranaguᒒ, garantiu.
As 30 pessoas que tiveram diarréia foram visitadas por agentes de saúde que orientaram sobre métodos de esterilização dos dejetos e aplicação do hipoclorito de sódio (água sanitária) na água consumida em casa. Cerca de 100 mil frascos do produto estão sendo distribuídos na cidade, principalmente em regiões sem saneamento básico. O secretário Luciano Ducci percorreu ontem uma área de invasão, o Jardim Pantanal, no Alto Boqueirão, onde residem 1,1 mil famílias que moram irregularmente desde 1990.
A dona de casa Vera Lúcia dos Reis, 32 anos, disse que sempre tratou a água colhida de um poço artesiano que serve ao Jardim Pantanal. O carpinteiro Josuel André Corsino, 30 anos, desconfia que a água retirada do poço artesiano possa contaminar os moradores. A caixa da água da comunidade, segundo ele, não é limpa há dois anos. O presidente da Associação de Moradores, Adair Sebastião dos Santos, aproveitou a presença do secretário Luciano Ducci para pedir a construção de um sistema de esgoto no Jardim Pantanal. Ducci remeteu a discussão à Companhia de Habitação (Cohab). Morador do Jardim Pantanal há três anos, o pedreiro João Xavier Simões, 29 anos, tratou de mostrar aos jornalistas o esgoto a céu aberto que corta casas e barracos instalados na localidade.

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