Curitiba- A Região Metropolitana de Curitiba está entre as dez mais violentas do Brasil e será contemplada no Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci). O índice médio de homicídios no Brasil é atualmente de 29,6 por 100 mil habitantes. Na Grande Curitiba é de 38,1 a cada 100 mil habitantes. Considerando apenas os jovens entre 15 e 29 anos, o índice salta para 76,2. Brasília, por exemplo, que está também entre as dez regiões metropolitanas mais violentas do Brasil tem índice de 33 homicídios para uma população de 100 mil habitantes e chega a 64,4 quando há o corte por faixa etária.
A situação foi considerada como preocupante pelo secretário executivo do Pronasci, Ronaldo Teixeira da Silva, que está em Curitiba desde anteontem. Ele participou da reunião do Conselho de Desenvolvimento e Integração Sul (Codesul) com governadores dos estados do Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul. Ontem, fez palestra no Primeiro Seminário de Segurança Pública da Região Metropolitana de Curitiba, ao lado do jornalista Caco Barcelos.
''Temos que agir rapidamente com recursos e programas educativos para fazermos com que ações efetivas ocorram no Brasil para o combate ao crime contra a vida. E outros tipos de crime como lavagem de dinheiro e narcotráfico'', afirmou o secretário do Pronasci.
Uma das preocupações é com a melhoria do Sistema Penitenciário brasileiro, que tem hoje uma população carcerária de 420 mil pessoas. Deste total, 65% são jovens com até 24 anos e 70% voltam para o crime após o cumprimento da pena. ''Temos que buscar alternativas urgentes para melhoria das unidades penitenciárias. Não podemos ter fábricas de monstros'', disse ele.
Silva quer ainda cursos de formação para policiais militares, civis, guarda municipal, agentes penitenciários, peritos e bombeiros de forma periódica e com subsídio através de bolsas de formação -que seriam concedidas pelo governo federal. O projeto das bolsas faz parte do Pronasci. Ele também pede que o Congresso Nacional se debruce na reforma do Código de Processo Penal, na Nova Lei de Lavagem de Dinheiro e na criação de uma Lei de Tipificação do Crime Organizado -hoje não existe qualquer legislação neste sentido.
Barcelos também defende que o estado nacional evite a repressão e atue com inteligência e ciência. ''Acho que emprego e salário digno são fundamentais'', disse o jornalista, autor do livro Rota 66 -A história da polícia que mata.

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