No caso de jovens de 18 a 24 anos, percentual de fumantes cresceu de 7,4%, em 2016, para 8,5% no último ano
No caso de jovens de 18 a 24 anos, percentual de fumantes cresceu de 7,4%, em 2016, para 8,5% no último ano | Foto: Shutterstock



Brasília – Dados divulgados pelo Ministério de Saúde nesta quarta-feira (30) apontam que Curitiba é a capital com o maior número de fumantes do País. Segundo as informações da última edição da pesquisa Vigitel, levantamento anual feito pelo Ministério, a capital paranaense tem prevalência de fumantes correspondente a 15,6%, número maior que o de São Paulo e Porto Alegre, que aparecem na sequência. Já a capital com menor índice de adeptos ao cigarro é Salvador, com 4,1%.

De acordo com os dados, apesar de registrar queda nos últimos dez anos, o hábito de fumar ainda abrange um em cada dez brasileiros que vivem nas capitais do país e dá sinais de novo avanço em algumas faixas etárias, como entre jovens de 18 a 24 anos. Foram ouvidas 53.034 pessoas acima de 18 anos nas capitais.

Segundo o levantamento, em 2017, cerca de 10,1% da população adulta que mora nestes locais era fumante. Em 2006, quando a pesquisa passou a ser aplicada, esse índice era de 15,7% -queda de 36%. Essa redução, no entanto, tem ocorrido de forma mais devagar nos últimos três anos. Em 2016, por exemplo, o total de adultos fumantes era de 10,2%, índice praticamente semelhante ao atual.

Dados também apontam aumento no total de fumantes em algumas faixas etárias, caso de jovens de 18 a 24 anos, cujo percentual de adeptos ao cigarro cresceu de 7,4%, em 2016, para 8,5% no último ano. Com esse novo aumento, o país volta a atingir o patamar que registrava há seis anos entre esse grupo. Também houve aumento na faixa etária de 35 a 44 anos, onde 11,7% dos entrevistados declaram que mantêm o hábito de fumar. Em 2016, esse índice estava menor: 10%.

A taxa de fumantes, aliás, ainda é maior entre homens do que entre mulheres. Também é mais alta entre adultos com menor escolaridade do que entre aqueles com 12 anos ou mais de estudo.

SEM TABACO
Os novos números foram divulgados em alusão do Dia Mundial sem Tabaco, celebrado nesta quinta-feira (31). O objetivo é chamar a atenção para os riscos e impactos à saúde ligados ao consumo de cigarro.

Em geral, o Ministério da Saúde atribui a redução no número de fumantes nos últimos anos à lei antifumo, que proibiu o consumo de cigarro em locais de uso coletivo parcialmente fechados e à política de preços mínimos para esses produtos.

"Considerando que a experimentação de cigarro entre os jovens é alta e que cerca de 80% dos fumantes iniciam o hábito antes dos 18 anos, o preço é um inibidor", informa a pasta, em nota.
Questionado sobre os fatores que podem levar ao aumento no consumo em algumas faixas etárias, como entre 18 a 24 anos, a pasta não respondeu até o momento.

Em nota, porém, diz investir na prevenção do tabagismo em grupos vulneráveis, como crianças e adolescentes, por meio de ações educativas e programas como o Saúde na Escola.

PARANÁ
Em alusão ao Dia Mundial sem Tabaco, a Sesa (Secretaria de Estado da Saúde) promoveu uma videoconferência nesta quarta-feira (30) sobre o tema para os profissionais de saúde dos municípios.

No Dia Mundial sem Tabaco, comemorado em 31 de maio, a OMS (Organização Mundial da Saúde) alerta sobre a relação entre tabaco e (DCV) doenças cardiovasculares. Em alusão à data, a Secretaria de Estado da Saúde, em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba, promove uma videoconferência nesta quarta-feira (30) sobre o tema para os profissionais de saúde dos municípios.

"Uma das principais funções dos profissionais de saúde é alertar sobre os efeitos nocivos que alguns hábitos podem proporcionar à vida das pessoas. O habito de fumar é, com certeza, um dos que mais traz danos à saúde. Queremos conscientizar a população sobre os efeitos nocivos do cigarro e oferecer ajuda para quem deseja parar de fumar", disse o secretário estadual da Saúde, Antônio Carlos Nardi.

Desde 1987, a OMS criou o Dia Mundial Sem Tabaco para chamar a atenção de governos e da população para os problemas causados pelo tabagismo, considerado a principal causa de morte evitável no mundo. Só no Brasil, 156 mil pessoas morrem todos os anos devido a doenças e complicações relacionadas ao fumo.

Como explica o superintendente de Atenção à Saúde, Juliano Gevaerd, o tabagismo é um fator agravante para diversas doenças, entre elas problemas vasculares. "As doenças cardiovasculares são a principal causa de mortalidade no mundo e o tabagismo é um dos fatores de risco dessa condição, assim como a hipertensão, diabetes e obesidade", lembra Gevaerd.

A boa notícia é que deixar o fumo traz benefícios à saúde rapidamente. Um dia após parar de fumar, os pulmões do ex-fumante já funcionam melhor; em dois dias o olfato e o paladar melhoram a percepção de cheiros e sabores; após um ano sem fumar, o risco de morte por infarto é reduzido pela metade.

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