Curitiba- Um programa de vanguarda para a produção e distribuição de fitoterápicos pelo sistema público de saúde foi desenvolvido pela Prefeitura de Curitiba por mais de uma década. Em 2005, o município desativou o ''Saúde Verde'', cuja proposta era estimular a fitoterapia como terapêutica médica e odontológica, incentivar a produção de plantas medicinais para o consumo in natura e fornecer fitoterápicos de qualidade nas unidades de saúde. Um ano depois, o presidente da República assinou um decreto para expansão do Programa Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos.
Os objetivos do programa municipal foram alcançados gradualmente pelo município, que chegou a fornecer manipulados fitoterápicos a 86 unidades de saúde, o que representava 81% de cobertura, em 2004.
Entre 1995 e 2004, a Secretaria de Saúde de Curitiba dispensou mais de 2 milhões de unidades de fitoterápicos, entre pacotes de ervas secas e manipulados. As plantas foram escolhidas de acordo com a eficácia para as patologias mais frequentes em clínica médica e pediatria, que fossem cultiváveis em Curitiba, não fossem tóxicas e nem confundidas com plantas tóxicas.
Com exceção de 1995, o município gastou por ano, mais de R$ 330 mil na compra dos produtos, ou 0,89% do gasto total com medicamentos.''A redução de custos chegou a 40% em relação aos medicamentos do mercado. Chegamos a ter 28 apresentações farmacêuticas, mas 16 ficaram estáveis para distribuição'', conta o médico Carlos Graça, que foi coordenador do programa de fitoterápicos do município, de 1987 a 1991 e depois de 1997 até 2006, quando pediu licença sem vencimento.
Depois de mudar de nome e de foco duas vezes, o programa foi batizado de ''Saúde Verde'', em 1998, e firmada parceria com a Universidade Federal do Paraná (UFPR) e Universidades Estaduais de Maringá (UEM) e de Ponta Grossa (UEPG). O convênio era para as instituições produzirem fitoterápicos manipulados, como gel, pomadas, tinturas e xaropes, e vendessem a preços bem abaixo dos de mercado.
A prefeitura tornou a Fazenda Solidariedade, em Campo Magro, na Região Metropolitana de Curitiba, um complexo de agroindústria farmacêutica para produção de plantas medicinais secas. ''As plantas medicinais são recursos sociais e fazem parte da cultura. Antes mesmo da pessoa procurar um médico, recorre ao uso das ervas. Com o incentivo a manipulação consegue-se ampliar os princípios ativos e agregar valor ao produto. A biotecnologia é de interesse do mundo todo'', enfatiza Graça. Segundo ela, as universidades não conseguiram se adequar à nova legislação da Anvisa e acabaram com a produção, assim como a Fazenda Solidariedade. A agência de saúde estabeleceu novas regras para produção industrial e critérios mais rigorosos para controle da qualidade.(F.G.)

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