Curitiba debate rodízio de carros
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 20 de maio de 2008
Karla Losse Mendes<BR>Equipe da Folha 
Curitiba - Um raio-x de uma fila de carros parados em um engarrafamento pode nos dar uma idéia do que é considerada a principal causa do problema: cada carro leva apenas uma pessoa, ou seja, a opção pelo transporte individual. Essa foi a tônica das discussões em uma audiência pública realizada ontem pela Comissão de Urbanismo e Obras Públicas da Câmara Municipal de Curitiba. O principal objetivo da reunião foi discutir um projeto de lei que prevê a implantação do sistema de rodízio de carros na cidade e outras alternativas para o transporte urbano.
Para o doutor em trânsito e mobilidade pela Universidade Estadual de São Paulo (USP), Renato Balbin, um dos especialistas convidados, o rodízio como medida isolada não é uma solução definitiva. ''Mais importante que medidas restritivas é uma política de racionalização do uso do automóvel. É preciso convencer as pessoas de que o carro é um ótimo meio para viajar ou fazer compras, mas não é a melhor opção para ir trabalhar, por exemplo'', explica. O especialista defende medidas como políticas de estacionamento e faixas exclusivas para quem não estiver sozinho no carro como estímulo a uma mudança cultural.
Balbin, no entanto, vê benefícios na implantação do rodízio, desde que se tenha em mente os objetivos dessa medida. ''Existem benefícios em qualquer política de racionalização. Podemos pensar que, no caso de São Paulo, para cada seis horas com o uso restrito do automóvel, as pessoas ganham 30 horas em economia de tempo no tráfego. O que é necessário é discutir essa medida e antes, avaliar outras alternativas com a população'', completa.
Também convidado para participar do debate, o representante da Associação dos Engenheiros e Arquitetos do Metrô de São Paulo, Emiliano Stanislau Affonso Netto, é categórico: ''O sistema de transporte individual está no limite''.
Ele também não recomenda uma solução única. ''O rodízio sozinho está longe de ser solução. É preciso melhorar a oferta de transporte público e restringir os estacionamentos, além de incentivar a integração'', defende.
O evento contou ainda com a participação de entidades que defendem o uso de meios alternativos como a bicicleta. A construção de bicicletários e ciclovias é defendida também pela relatora do projeto, Roseli Isidoro (PT). ''As bicicletas são a solução ideal para pequenos trajetos. É uma pequena que Curitiba não tenha investido nesse meio nos últimos dez anos. É preciso investimento neste setor'', afirma.


