Curandeira ou bruxa, Mãe Cornhusk é temida em Trinidad e Tobago
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quarta-feira, 03 de novembro de 1999
Por Tim McDonald 
Moruga, Trinidad (AE-AP) - Letárgico devido ao calor, um macaco move-se para uma jaula onde está um indiferente papagaio, inclinando-se lentamente para a sombra da casa, encoberta pela densa Floresta de Moruga.
Mesmo para um país rural Trinidad e Tobago, a casa da "mulher que faz obeah" (tipo de magia africana) é longe de tudo. A casa de Mãe Cornhusk não tem eletricidade, desde que santo Antônio, santo padroeiro dos objetos perdidos, mulheres estéreis e coveiros apareceu num sonho e disse a ela que ela deveria trabalhar sob a luz de uma lanterna. Velas acesas flutuam em água no pequeno quarto no andar de cima, onde ela tem estado, adoecida, pelos últimos 11 anos, suas pernas paralisadas
seus dedos retorcidos devido à artrite.
Ela já foi a mulher mais temida em toda Trinidad por praticar obeah, ou seja, magia negra, como ninguém antes. Apenas o legendário Papa Neiza fez algo semelhante a ela, diz o povo, mas ele morreu há pelo menos 10 anos.
Alguns acreditam que Mãe Cornhusk tenha morrido também. Quando elas estava viva, sussurram, ela era forte com obeah, poderosa e temida.
Quando este fato é mencionado, seu vivo e surpreendentemente liso rosto de 83 anos perde sua suavidade. Seus lábios quase não se movem quando ela diz: "Eu continuo sendo temida".
Moruga fica no sul de Trinidad e Tobago, uma vila de pescadores onde barcos ancoram ao cair da noite e, em dias claros, a Venezuela é visível através do canal Colombo. Uma antiga e bastante enfeitada igreja católica fica a apenas alguns passos da praia, que é emporcalhada com os detritos das vidas arduamente retiradas do mar.
A sombra de Mãe Cornhusk recai sobre toda a pequena vila.
"Muito diabólica", diz Feddie Suryanh, que viveu em Morua todos os seus 78 anos. "Muito diabólica", ela repete.
"Ela faz mais mal do que bem", diz outra mulher, muito calmamente. "Ela ajuda várias pessoas. Mas é melhor não irritá-la".
Como os demais, ela não fala sobre as exatas consequências das irritações de Mãe Cornhusk.
Muitas pessoas recusam-se a ter seus nomes publicamente associados ao obeah, o lado negro da religião Orisha que os escravos trouxeram de uma tribo ioruba da Nigéria. Esta religião desenvolveu-se no Caribe e na América Latina, circundada por elementos do catolicismo, hinduísmo, protestantismo e da antiga mística judaica da cabala.
As pessoas temem ser ridicularizadas sobre a prática que alguns consideram primitiva. Mas há pelo menos 150 templos Orisha em Tinidad e Tobago e cerimônias, incluindo sacrifícios de animais, possessões de espíritos, feitiços e encantamentos para uma abundância de santos, acontecem com frequência regular.
Mãe Cornhusk diz que veio para Trinidad, de sua terra natal Granada, aos sete anos, e que vem praticando obeah desde que santo Antônio veio até ela quando ela era ainda uma adolescente. Ela não teve mais visões, mas ocasionalmente ouve são Benedito rezando por ela, conta.
Ela continua a receber pessoas pedindo ajuda com finanças, casos de amor, vingança contra inimigos. Eles a ajudam com quaisquer meios que possam dispor.
"Quando você vem aqui aos domingos, está cheio de gente", gaba-se. Ela mistura várias poções de ervas que ela costumava coletar na floresta, uma tarefa agora realizada por sua neta. Mãe Cornhusk não pesa mais do que 30 quilos, a figura sob a fina coberta da cama poderia ser a de uma criança.
Ela termina com um de seus clientes. Instrui o homem a reunir vários ingredientes exóticos: água de kananga, lavanda vermelha e branca e "lavagem de chiney". Com eles ela irá preparar uma mistura para ele banhar-se e a qual irá levar embora seu problema, uma mulher que não tem por ele afeto.
Este é o tipo de trabalho que ela prefere agora: ajudar pessoas. O lado negro, ela não gosta de discutir. "Eles chamam de obeah", diz Mãe Cornhusk. "Eu chamo de curandeirismo".


