Assunção, 13 (AE) - Os presidentes dos quatro países do Mercado Comum do Sul (Mercosul), que se reúnem terça-feira em Assunção, junto com o Chile e Bolívia, na 16ª Cúpula, vão discutir uma estratégia para tentar reverter a decisão da União Européia, de adiar as negociações entre os dois blocos visando criar uma área de livre-comércio.
Apesar das crises conjunturais enfrentadas no momento, os parceiros do Mercosul tentarão fortalecer sua posição na conferência de 48 chefes de Estado da Europa, América Latina e Caribe, dias 28 e 29 deste mês, no Rio de Janeiro.
Outro tema que marcará a reunião dos presidentes do Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, dos chanceleres e dos ministros da área econômica - que se inicia amanhã (14) e termina na terça-feira -, é como o Mercosul poderá prevenir futuras crises econômicas. O primeiro passo foi dado há uma semana, num encontro entre os presidentes dos dois principais membros do bloco, o Brasil e a Argentina.
Fernando Henrique Cardoso e Carlos Menem anunciararam em Buenos Aires a intenção de estabelecer um fórum de coordenação de políticas macroeconômicas, como metas fiscais comuns, bem como taxas de juros.
Este será o primeiro encontro do bloco regional depois da desvalorização do real, que alterou as relações comerciais entre os países. Também é o primeiro ano que o comércio entre os quatro países do bloco apresenta queda - de cerca de 30% no primeiro trimestre de 1999. Desde a criação do Mercosul, em 1991
o comércio intra-regional vinha apresentando superávits crescentes, inclusive em 1998, quando as duas principais economias - Brasil e Argentina - sofreram os efeitos negativos da crise asiática, ocorrida no final de 1997.
Críticas - O Brasil poderá ser alvo de críticas durante a 16ª Cúpula. O Paraguai vai pedir que o governo sobretaxe as exportações direcionadas ao Mercosul, segundo entrevista concedida aos jornais locais pelos ministros da Fazenda, Federico Zayas, e da Indústria, Guilhermo Caballero Vargas.
Zayas disse que o Paraguai vai pedir o apoio da Argentina e Uruguai a estas medidas já que "há invasão de produtos brasileiros em toda a região do Mercosul". Vargas afirmou que os países vizinhos poderão, inclusive, adotar medidas protecionistas às importações brasileiras como "alternativa temporal" até que o Brasil adote medidas mais defintivas que protejam a integração regional.
Europa - O adiamento das negociações para uma maior integração comercial com a Europa é uma decisão que afeta genericamente os países do Mercosul. Todos - principalmente a Argentina e o Brasil - exportam volumes expressivos de produtos agrícolas para o mercado europeu.
Há duas semanas, a França vetou a recomendação dos chefes de governo da União Européia para iniciar até o final de 2000 o aprofundamento do comércio com o Mercosul. A França quer discutir os subsídios agrícolas concedidos aos produtores somente depois do próximo acordo mundial do comércio, em 2003.
Fernando Henrique e Menem já anunciaram que vão insistir nessa discussão. A aliança do Mercosul com a União Européia é estratégica para as economias latinoamericanas enfrentarem o peso dos Estados Unidos na formação da Aliança de Livre Comércio das Américas (Alca).
De acordo com informações de diplomatas brasileiros que participam da reunião em Assunção, a posição do Itamaraty continua a de negociar em bloco com a União Européia - e não sem excluir os subsídios agrícolas,como querem os franceses. Essa postura será reiterada durante a cúpula do Mercosul pelo presidente argentino.
Amanhã esses assuntos serão tratados em reuniões dos ministros da área econômica dos quatro países. Do Brasil, está prevista a participação dos ministros Pedro Malan (Fazenda), Pedro Parente (Orçamento e Gestão), Celso Lafer (Desenvolvimento), Luiz Felipe Lampreia (Relações Exteriores) e o secretário-executivo da Câmara de Comércio Exterior, José Botafogo Gonçalves. Terça-feira a reunião do Conselho Mercado Comum se encerra com a presença dos presidentes Fernando Henrique, Menem, Luis Angel González Macchi (Paraguai), Julio Maria Sanguinetti (Uruguai), Eduardo Frei (Chile) e Ugo Banzer (Bolívia).

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