Cúpula sobre agricultura abre abismo entre França e Alemanha Do correspondente Gilles Lapouge
Paris, 23 (AE) - Há alguns anos, o socialista francês François Mitterrand e o conservador alemão Helmut Kohl se entendiam "às mil maravilhas". Hoje, "as cartas estão marcadas" entre os dois socialistas que são o francês Lionel Jospin e o alemão Gerhard Schroder. A reunião de cúpula européia que se desenvolve em Bruxelas sobre a "política agrícola comum" (a PAC) não só não diminui o fosso entre Paris e Bonn, mas até aumenta, na verdade, um abismo.
Já há alguns meses, as relações entre os dois países eram amargas, agressivas (fúria da França, por exemplo, quando Bonn anunciou o fim das experiências nucleares medida, aliás, para completar desde então). Mas com a questão agrícola, chega-se a uma verdadeira rixa.
A questão: reformar a política agrícola européia. Esta (a PAC) tem todas as falhas possíveis: exaspera os outros continentes que a vêem como uma política de "subvenções dissimuladas" contrárias aos acordos internacionais do comércio. Ela inflou extremamente certas produções, o que exigiu logo depois a redução das superfícies cultivadas, do número de cabeças de gado etc.
Enfim, a PAC é injusta: os maiores financiadores da PAC são os alemães, que investem onze bilhões de euros, por ano, para extrair um benefício bem inferior a essa quantia. Ao contrário, a França, grande país agrícola, contribui com uma medida moderada para o orçamento europeu e recebe, no entanto, as maiores vantagens. Portanto, os alemães exigem diminuir drasticamente sua contribuição para o orçamento europeu.
Tal é o esquema das discussões em Bruxelas, que se desenrolam em uma atmosfera detestável. Os alemães acusam os franceses de serem avaros e de não quererem aumentar sua contribuição para o orçamento. Os franceses dizem que os alemães são tão "pão-duros" quanto era, ontem, Margareth Thatcher (injúria suprema nas bocas francesas!).
Deixemos de lado as visões gerais técnicas da questão, que são extremamente obscuras. Salientemos, sobretudo, a gravidade da crise França/Alemanha: aí se encontra uma novidade absoluta: desde de Gaulle e de Konrad Adenauer, após a guerra, em seguida com Giscard dEstaing e Helmut Schimidt, até Mitterrand e Helmut Kohl, a solidariedade entre Paris e Bonn não tivera falhas. E a construção européia só pôde se realizar e em seguida progredir, graças a esse "motor" que era a potente dupla franco/alemã.
Hoje, esse "motor" franco-alemão está inteiramente em pane. E toda a Europa estremece.
Há alguns dias, fala-se muito da "fraqueza" do "euro", moeda comum européia lançada no dia primeiro de janeiro e que, após estréia de "diva", não pára de depreciar-se em relação ao dólar. Todavia, esse recuo do euro não é catastrófico. Será necessário um certo tempo antes que se estabeleça um equilíbrio saudável entre o "dólar" e o "euro".
Em compensação, a rixa franco-alemã, se ainda se agravar, constituirá um perigo, eventualmente mortal, para toda a União Européia.





