Cúpula pode ajudar áfrica a se incorpora ao processo de globalização
Lagos, 01 (AE-AP) - Depois de as bandeiras da Grã-Bretanha, Bélgica, França, Itália, Espanha e Portugal terem sido arriadas de Lagos a Leopoldville, os africanos estão ansiosos em prosperar em liberdade e receber generosa assistência de seus ex-governantes coloniais.
Mas quatro décadas após obter sua independência, a áfrica ainda está buscando ajuda da Europa e a reunião de cúpula de dois dias no Cairo, que começa na segunda-feira, é apontada como a abertura do diálogo que poderá ajudar o continente mais deserdado do planeta a incorporar-se ao processo de globalização.
Enquanto os africanos querem negociar alívio para sua dívida externa de US$ 350 bilhões, aumento no investimento estrangeiro e melhores termos de comércio, os europeus querem discutir sobre armas, tráfico de drogas, refugiados, imigração, direitos humanos, saúde e bons governos. Os europeus também querem um plano de ação para acabar com os conflitos na áfrica e a corrupção que estão drenando recursos de projetos de desenvolvimento.
Cinquenta e dois países africanos, a maioria da Organização de Unidade Africana (OUA), participarão dessa reunião, além dos chefes de Estado e de governo dos 15 países da União Européia, que pretendem dar uma nova dimensão estratégica às relações entre os dois continentes, hoje baseadas no Acordo de Lomé - de cooperação entre áfrica, Caribe e Pacífico (ACP) - e no processo de Barcelona, iniciado em 1995 para criar uma zona de livre comércio euro-mediterrânea.
A UE é a maior fonte de recursos para a áfrica, graças a variados programas de assistência e desenvolvimento. Críticos africanos, entretanto, denunciam que muito desse dinheiro desapareceu nos bolsos e contas bancárias de funcionários do governo, o que demonstraria o fracasso da Comissão Européia em controlar suas doações.
Talvez por isso os europeus negam-se a assumir, nessa reunião
maiores compromissos financeiros com a áfrica, alegando que já destinam ajudas milionárias ao desenvolvimento do continente. Segundo fontes ligadas à reunião, os líderes europeus apresentarão a mensagem de que a áfrica deve encontrar seu lugar no cenário mundial por meio de programas de ajustes que permitam a recuperação de sua capacidade produtiva e sua inserção na economia mundial, evitando a marginalização dos países mais pobres.
A União Européia também insistirá que a multiplicação dos conflitos armados - registrados em 20 países africanos em 1999 - constitui um dos principais empecilhos para o desenvolvimento e a erradicação da pobreza no continente.
Os líderes africanos que participarão da cúpula representam 800 milhões de pessoas, de uma região com os índices de progresso mais baixos do mundo e cuja ausência de perspectivas é uma ameaça para o êxito da nova corrente de globalização.
Após o fim da guerra fria, a perda de interesse político de algumas nações, que até então eram disputadas a qualquer custo entre o Ocidente e o bloco soviético, levou, nos anos 90, a um certo abandono da parte meridional do continente.
A maioria dos países africanos permanece afundada na miséria - 40 deles estão entre as 50 nações mais pobres do mundo - ou imersa em conflitos armados e crises políticas cuja possível expansão é uma ameaça direta para a Europa.





