Como continuar discutindo? Esse é o principal resultado de 11 dias de discussões da 4ª Conferência sobre Mudanças Climáticas (COP4), que está analisando, em Buenos Aires, as formas de reduzir as emissões dos gases que provocam o aquecimento da Terra.
Tudo indicava que a forma de implementação do Protocolo de Kyoto seria adiada para a reunião do ano que vem. Até o fim da tarde de ontem, quando os representantes dos 170 países participantes preparavam-se para enfrentar o trecho final das discussões que os levaria a uma longa jornada noite adentro, não estava previsto o anúncio de nenhuma decisão significativa.
Espera-se que hoje pela manhã a organização da COP4 anuncie pelo menos um cronograma de trabalho para os próximos anos e que possibilitem uma pré-implementação do Protocolo.
O ministro da Ciência e Tecnologia do Brasil, Israel Vargas, disse à Agência Estado que não havia nenhuma grande dificuldade prevista. No entanto, Vargas admitiu que as discussões levariam toda a noite.
Integrantes da delegação brasileira explicaram que alguns países, especialmente os produtores de petróleo, como a Arábia Saudita, atrasaram as negociações com discussões sobre ‘‘uma palavra ou mesmo um colchete’’. ‘‘É óbvio o porquê: A cada minuto perdido nos debates da COP4, eles ganham milhões de dólares.’’
Esta cúpula foi marcada pelo antagonismo entre países desenvolvidos, que pretendem que além deles os outros países reduzam suas emissões de gases, e os países em desenvolvimento, que resistem em reduzir suas emissões alegando que com isso comprometeriam suas economias.
O ministro de Ambiente e Bosques da Índia, Juresh Prabhu, disse que ‘‘precisamos de energia para nossa economia’’. Segundo ele, a maior fonte disponível é o carvão. ‘‘Não queremos usá-lo’’, disse Prahbu. ‘‘Mas não temos dinheiro para tecnologias mais sofisticadas e limpas.’’
Integrantes da União Européia (UE) disseram que estão tentando que ‘‘alguns países em desenvolvimento façam uma redução de emissões.’’ Esta proposta não se enquadraria dentro do ‘‘compromisso voluntário’’. Segundo os europeus, ‘‘é uma proposta para que os países em desenvolvimento apresentem metas de redução’’. A UE sustenta que isso convenceria os Estados Unidos a ratificar o Protocolo. Os Estados Unidos assinaram o Protocolo de Kioto anteontem, em Buenos Aires, mas o Congresso, principalmente o Senado norte-americano, já avisou que não ratificará o acordo.
Parlamentares dos partidos verdes europeus lamentaram que a cúpula fosse marcada pela discussão da distribuição de créditos de emissão de gás, que permitirá que um país que produz menos gases possa vender sua diferença para outro que produz mais. ‘‘Estão privatizando a natureza’’, afirmaram.
A UE concorda neste ponto: Ela teme que o comércio sem controles das emissões faça com que os países industrializados não adotem medidas domésticas de redução de emissões, e que acabem cumprindo suas metas ambientais às custas das compras das cotas de emissões dos países pobres.

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