Cúpula do PFL admite saída de Conde ou Maia do partido
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quarta-feira, 04 de agosto de 1999
Por César Felício 
Brasília, 05 (AE) - A cúpula do PFL já desistiu de reconciliar o prefeito do Rio de Janeiro Luiz Paulo Conde e o ex-prefeito César Maia e admite que um dos dois sairá do partido. Hoje, Conde encontrou-se com o presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL), enquanto Maia participou da reunião da executiva nacional pefelista e almoçou com o presidente nacional da legenda, senador Jorge Bornhausen (SC). Os dois comunicaram que são candidatos à prefeitura do Rio no próximo ano.
"Quem sentir que vai perder a convenção, sairá do PFL", admitiu o vice-presidente do partido, senador José Jorge (PE), que previu: "Com Conde e Maia candidatos, um pelo PFL e outro por outra legenda, os dois devem perder."
Segundo José Jorge, o PFL já não conta mais o Rio de Janeiro como uma das capitais em que o partido deve manter a prefeitura. "Nossas esperanças estão em Recife, Salvador e Curitiba, em que os prefeitos pefelistas serão candidatos à reeleição." A conquista da prefeitura do Rio foi considerada em 1996 estratégica para o partido, que em termos eleitorais é menos expressivo nas regiões Sul e Sudeste do que o PT e o PSDB.
A hipótese de intervenção da cúpula no município está descartada. "Já falamos com Maia cinco vezes e com Conde dez vezes, para tentar evitar a situação que se criou", afirmou o senador, para quem "a disputa na convenção só será evitável se um dos dois sair do partido antes".
Os desentendimentos entre César Maia e Luiz Paulo Conde começaram no ano passado, quando Maia foi candidato derrotado do partido ao governo do Rio. O ex-prefeito, que ajudou a eleger Conde prefeito em 1996, conseguiu ser o mais votado na capital do Estado e começou a questionar a condição de candidato natural à reeleição de Luiz Paulo Conde. A direção do PFL tentou convencer Maia a apoiar a reeleição de Conde, se preservando para disputar o governo do Estado em 2002, mas os dois começaram um tiroteio verbal desde o início do ano que inviabilizou qualquer negociação.
Este ano, César Maia iniciou uma aproximação com o PSDB, reatando as suas relações políticas com o ex-governador do Rio Marcello Alencar, que controla a seção tucana no estado. Caso entrasse no partido, contudo, Maia teria que enfrentar rivais internos para se tornar candidato, como os deputados Ronaldo Cézar Coelho e Airton Xerez.
Já Conde vem mantendo conversas com o PTB, o PSB e o PDT. Caso saia do PFL, o atual prefeito terá dificuldades de optar por uma nova legenda: o PDT está dividido sobre a manutenção da aliança com o PT nas eleições do próximo ano ou a escolha de um candidato próprio. O PSB não aceita que Conde traga para o partido o seu grupo político, formado por vereadores da bancada pefelista. E o líder do PTB no estado, deputado Roberto Jefferson , está em rota de colisão com o presidente nacional do partido, deputado José Carlos Martinez (PR).


