Curitiba - O ministro da Previdência, Ricardo Berzoini, exonerou ontem toda a cúpula da arrecadação do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) no Paraná. Entre os seis afastados dos cargos de confiança está a gerente-executiva Laura Cristina Bianco da Costa, que era a segunda maior autoridade do órgão no Paraná. Os seis são suspeitos de desviar recursos do INSS que podem totalizar um rombo de R$ 168 milhões nos cofres da Previdêncial Social no Paraná. A Polícia Federal abriu inquérito para investigar o caso.
Os seis exonerados, que não estão autorizados a dar entrevistas, são funcionários de carreira do INSS e vão exercer o cargo de origem enquanto é feita uma sindicância sobre as supostas irregularidades. A sindicância, constituída ontem pelo Ministério da Previdência, terá prazo de 60 dias para apurar as acusações. Foram exonerados também os chefes de Cobrança, Edimar Rodrigues Shintcovsk; da Divisão de Arrecadação, Sérgio Bilotta; de Análise de Defesa e Recursos, Mário Celso Freitas Rodrigues; de Fiscalização, João Élio Graciolli; e de Orientação de Arrecadação, Haroldo José Tosin. Todos são da gerência de arrecadação.
De acordo com a assessoria do ministério, uma auditoria feita no INSS do Paraná constatou irregularidades na emissão de Certidões Negativas de Créditos (CDN's) e no tratamento dispensado a algumas empresas. Pelo pagamento a determinadas pessoas, as empresas poderiam comprar CDN's falsos, receber ''descontos'' ou zerar os valores devidos ao INSS. A auditoria apurou ainda que os funcionários extorquiam e ameaçavam os empresários que não participavam do esquema. O trabalho faz parte de uma força-tarefa da PF, Ministério Público Federal e Receita Federal.
A sindicância vai apurar se houve responsabilidade dos exonerados, que podem perder os cargos no INSS e responder ação judicial. As empresas que teriam participado do esquema também podem ser responsabilizadas. O ministério não confirmou oficialmente o nome das empresas, mas o jornal ''O Globo'', citando uma fonte do serviço de inteligência fiscal da Polícia Federal, citou a Risotolândia, Total Linhas Aéreas, Nutrimental Indústria e Comércio de Alimentos, Sociedade Educacional Tuiuti, Vepasa Veículos e o Clube Atlético Paranaense (leia nesta página).
O esquema, se comprovado, é bastante semelhante ao aplicado por funcionários públicos lotados no Rio de Janeiro. Os servidores são suspeitos de envolvimento com supostas quadrilhas de fraudadores da Previdência Social e da Receita Federal. A força-tarefa do Rio de Janeiro estima que o rombo nesse estado chegue a R$ 1 bilhão. Em princípio, o esquema investigado no Paraná não tem relação com o do Rio de Janeiro.
A superintendente do INSS no Paraná, Elizabeth Lobo Elpo, disse ontem que os funcionários foram afastados do cargo de chefia para garantir maior transparência na apuração dos denunciados. Ela disse que não tem conhecimento das supostas operações e dos benefícios às empresas.

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