Curitiba- Nem todos os citados na Operação Tentáculos foram denunciados pelo Ministério Público (MP) ou indiciados em inquérito policial. Nos autos, constam casos de constrangimento ilegal e corrupção que envolveriam integrantes de alto escalão na Polícia Militar (PM). Os nomes estão sendo mantidos sob sigilo. Mas os oficiais estariam envolvidos na venda de promoções dentro da corporação. Um dos pontos onde a venda de promoções através de empréstimos era mais evidente estava dentro do 13º BPM, onde o então major Pedro Plocharski – que foi assassinado – era comandante
interino.
  As investigações chegaram ainda em exploração de prestígio entre oficiais da PM e juízes de direito. Os detalhes não foram divulgados para a imprensa. O delegado Luiz Alberto Cartaxo de Moura, titular da Homicídios e envolvido diretamente nas investigações, não quis dar detalhes das investigações –que teriam sido feitas pela PF e pela Cisesp. Entretanto, ele salientou que as denúncias envolvendo oficiais da PM foram encaminhadas para a Justiça Militar, que já teria aberto Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar a veracidade das informações obtidas durante as investigações
policiais.
  Já o que se refere à exploração de prestígio, os dados foram encaminhados à Justiça Federal de Ponta Grossa –responsável pelas investigações do tráfico de armas e de milícias armadas rurais para combater invasões de sem-terra na Região dos Campos Gerais. ‘‘Meu inquérito ficou concentrado na apuração da morte do major Plocharski (promovido para tentente-coronel depois de morto)’’, ponderou ele.
  Questionado sobre o envolvimento de oficiais da alta cúpula da Polícia Militar (PM) em constrangimento ilegal e corrupção, o governador Roberto Requião (PMDB) admitiu ter ouvido falar sobre o tema. Mas não quis se pronunciar, por se tratar de processo sob sigilo judicial.
  ‘‘Toda a crise tem que ser esclarecida e as polícias atuaram para isso durante a Operação Tentáculos. Cabe agora aos promotores e procuradores, a denúncia de todos os envolvidos. Agora não está mais nas nossas mãos’’, salientou o governador, ao dizer que oficialmente não tem informações sobre o que contém os autos.(L.P.)

mockup