Buenos Aires, 24 (AE) - Socialistas de todo o mundo, das mais diversas tonalidades e versões, estarão reunidos a partir de amanhã (25) em Buenos Aires para a reunião do Conselho da Internacional Socialista (IS). Eles analisarão o futuro da Terceira Via e do próprio socialismo diante do século XXI. Além disso, sexta-feira e sábado, representantes de 139 partidos debaterão na capital argentina a recente derrota dos partidos socialistas nas eleições do Parlamento Europeu.
Esta será a primeira reunião da IS que se realiza na Argentina. A Internacional, fundada no século passado, foi desestruturada nas primeiras décadas deste século para reaparecer em 1951, pelo Congresso de Frankfurt. Atualmente reúne partidos socialistas, sociais-democratas e trabalhistas, incluindo na mesma organização partidos tão diferentes como o PRI mexicano, o PS francês e o brasileiro PDT. Desde os anos 80, a IS dobrou o número de partidos filiados.
Entre os participantes, estarão presentes três candidatos presidenciais de coalizões de centro-esquerda do Mercosul, com chances de vitórias nas eleições deste ano: o argentino Fernando de La Rúa, da coalizão de oposição Aliança UCR-Frepaso; o chileno Ricardo Lagos, da Concertación Democrática e o uruguaio Tabaré Vázquez, da Frente Ampla.
Ao contrário dos europeus, envolvidos profundamente com seu projeto de Terceira Via, os representantes latino-americanos sustentam que o modelo do "novo socialismo" ainda não pode ser aplicado na região.
Segundo Carlos "Chacho" álvarez, candidato à vice-presidência pela Aliança UCR-Frepaso, "a versão latino-americana da Terceira Via é diferente da européia, porque aqui não temos que nos distanciar da velha esquerda, mas sim, da nova direita". O ex-primeiro-ministro francês, Pierre Mauroy, presidente do Conselho da IS, concordou, e disse que "cada país tem que buscar seu novo caminho".
Apesar dessa liberalidade de caminhos, o socialismo internacional vive no momento um grande debate, que gira ao redor de dois eixos: por um lado, os seguidores da Terceira Via, entre os quais estão os primeiros-ministros da Grã-Bretanha, Alemanha e Itália, e por outro, os franceses, portugueses, espanhóis, holandeses e escandinavos, que pretendem uma linha social-democrática, embora mais afastada do neo- liberalismo do que seus colegas da Terceira Via.
A reunião de Buenos Aires servirá como prévia à grande reunião que será realizada em Paris antes do fim do ano, onde Mauroy quer apresentar soluções da IS aos desafios colocados pela globalização e o desaparecimento do Estado do bem-estar social. Entre os representantes do socialismo europeu, chegaram à Buenos Aires o primeiro-ministro italiano Massimo DAlema; o primeiro-ministro da Grécia, Constantinos Simitis; o primeiro-ministro sueco Goran Persson e o ex-primeiro ministro espanhol Felipe González.
A ausência mais lamentada é a do primeiro-ministro alemão, Gerhard Schroeder, que pretendia dar na Argentina "total apoio" aos protestos dos alemães parentes de desaparecidos durante a última ditadura militar. No entanto, o presidente Carlos Menem teve que ouvir esse protesto por parte de Persson, já que a Justiça da Itália e da Suécia também possuem processos contra ex-repressores locais.
Outro golpe político direto a Menem será a romaria que os líderes internacionais realizarão até o Hospital Italiano, onde está internado o ex-presidente Raúl Alfonsín, de quem o atual presidente é inimigo político. O ex-governador Leonel Brizola, que ocupa uma das vice-presidências da IS, está em Buenos Aires desde quarta- feira, e participará da abertura das sessões.

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