Cerca de mil pessoas participaram ontem pela manhã de um culto ecumênico em Serranópolis do Iguaçu (85 quilômetros a leste de Foz do Iguaçu) para pedir a reabertura da Estrada do Colono, fechada na última quarta-feira pela Polícia Federal e Exército. O ato reuniu moradores, lideranças e políticos de várias cidades do Oeste e Sudoeste do Paraná.
O ato religioso, realizado em frente ao portão do caminho, foi assistido por mais de 200 homens do Comando de Operações Táticas (COT) da Polícia Federal e soldados do Exército, que formaram um cordão de isolamento na guarita. Antes, o efetivo já havia montado uma segunda cerca de arame, com objetivo de reforçar a segurança para o ato. O comando da operação temia um incidente com a multidão, o que não aconteceu.
A Estrada do Colono corta em 17,6 quilômetros o Parque Nacional do Iguaçu e estava aberta ilegamente desde 1997. As populações de Serranópolis (Oeste) e Capanema (Sudoeste) argumentam que ela é fundamental para a economia dos municípios por encurtar em 120 quilômetros a distância entre elas. Ambientalistas sustentam que o caminho prejudica o ecossitema da reserva, além de ameaçar a vida dos animais que cruzam o trajeto.
Durante uma hora e meia, um padre da Igreja Católica, um pastor da Igreja Confissão Luterana e um pastor da Igreja Evangélica Luterana do Brasil rezaram, cantaram e criticaram, por várias vezes, o diretor do Parque Nacional do Iguaçu, Júlio Gonchorosky – tido como inimigo por defender o fechamento do caminho. Eles pediram paz aos moradores até a Justiça analisar o recurso contra o fechamento (ver texto nesta página).
O agricultor Benedito Hilário Favareto, 64 anos, era um dos participantes. Natural do Rio Grande do Sul, ele contou ter se transferido para o oeste paranaense em 1962. ‘‘Quando fiz minha mudança, em 1962, fiz pela Estrada do Colono. Ela está enraizada na região. Niguém irá tirá-la da gente’’, afirmou, resumindo o sentimento das pessoas que participaram da manifestação.
O ato religioso foi marcado pela colocação de uma cruz de madeira perto do acesso à Estrada do Colono. O símbolo estava em um pano preto amarrado, simbolizando o luto e repúdio dos moradores. A garota Caroline Silva, 7 anos, ferida no confronto de quinta-feira (quando um policial também ficou ferido e um manifestante foi preso), foi usada como símbolo da resistência popular. A menina colocou duas tiras, uma branca e outra verde, na cruz.
Depois do culto ecumênico, foi a vez dos políticos se posicionarem a favor da abertura da Estrada do Colono. Discursaram os deputados estaduais Irineu Colombo (PT), Ademir Bier (PMDB), Luciana Rafagin (PT), Sérgio Spada (PSDB), Eli Guellere (PDT), Chico Noroeste (PFL), mais o prefeito de Serranópolis do Iguaçu, Nilvo Perlin (PT) e Medianeira, Luiz Suzuke (PT). Suzuke também é presidente da Associação de Integração Comunitária Pró-Estrada do Colono (Aipopec).

mockup