Cuide dele - Viva bem, não maltrate seu coração
Cuide dele - Viva bem, não maltrate seu coração
Considere os fatores de risco para o coração
Cardiologista Laércio Uemura
Desde que o deputado federal Luís Eduardo Magalhães morreu de infarto, com pouco mais de 40 anos de vida, as cardiopatias passaram a preocupar mais os brasileiros. Um especialista, o cardiologista Laércio Uemura, fala a respeito do assunto, para a Folha da Folha.
As doenças mais comuns são a hipertensão arterial, doença arterial coronariana e as miocardiopatias, a exemplo das conhecidas como coração aumentado, as insuficiências cardíacas. Entre essas doenças coronarianas é que entram o infarto agudo, angina, problemas que hoje estão sendo muito discutidos depois da morte do deputado.
Vista anterior do coraçãoFatores de riscoDeve-se levar em consideração os fatores de risco que provocam as doenças circulatórias em geral, não só do coração: hipertensão arterial, diabete, tabagismo, colesterol elevado, sedentarismo, estresse, obesidade. Estes seriam os principais fatores de risco. O que fazer para trabalhar com esses riscos?
Laércio Uemura tem orientado os pacientes a medirem a pressão arterial pelo menos duas vezes por ano, e a fazer sempre um controle adequado de hábito alimentar. Não só na pressão, mas isto vale também para colesterol. O médico considera importante um controle dietético, reduzindo ou evitando o consumo de alimentos gordurosos, massas, doces. Tudo tem que ser controlado, para reduzir esse colesterol, adverte.
Câmaras cardíacasSedentarismoÉ fundamental nos dias de hoje que o indivíduo faça atividade física regular, porque muitas vezes a gente escuta aqui, principalmente das mulheres, alegações como puxa, doutor, mas em casa eu trabalho o dia inteiro. Mas isso não é uma atividade física que seja suficiente para que a vida seja considerada não sedentária. É fundamental que o exercício físico seja regular e contínuo, aconselha o cardiologista.
O exercício precisa durar um determinado tempo. Então, o médico orienta que se escolha uma atividade física da qual se goste. As três principais maneiras de se exercitar são caminhar ou nadar, ou andar de bicicleta. Esses são os execícios mais fáceis e mais indicados; que o paciente deve fazer no mínimo três vezes por semana.
O indivíduo que não tem doença, caminha um pouco mais rápido. O médico recomenda uma velocidade em que o paciente ande de 5 a 5.500 emtros, mais ou menos em 50 minutos. Agora - ressalva Uemura -, nos indivíduos que tenham algum problema, o caráter da atividade física é determinado por exames. Luís Eduardo, por exemplo, fez uma caminhada excessiva.
Houve uma época em que se falava que caminhar de manhã era nocivo à saúde. O cardiologista admite que realmente existe uma certa explicação científica. Os pacientes que tenham problema cardíaco, como arritmia ou angina, devem caminhar à tarde, porque estatisticamente a maioria dos infartos e mortes por arritmia acontece de madrugada e de manhã. Mas, quem não tem nada, pode caminhar de manhã ou à tarde, num horário que não seja muito quente. Uemura lembra que o deputado Luís Eduardo já tinha o problema; não foi o fato de caminhar que o matou. Mas, nós não estimulamos o exagero, ressalva.
TabagismoOutro importante fator de risco é o fumo. Sem dúvida é prejudicial, não apenas para a circulação, mas também para os pulmões, confirma Laércio Uemura. O tabaco, na opinião do médico, é o vilão da história. E justifica: Há muitos trabalhos mostrando que a incidência das doenças circulatórias, não só do infarto mas da trombose, derrames, é maior nos tabagistas.
Colesterol alto: o equilíbrio entre o colesterol bom e o colesterol ruim é fundamental. Contra o colesterol mal são dadas orientações a respeito de dietas, porque colesterol vem mesmo de gordura animal. Então o consumo dessas gorduras tem que ser reduzido, adverte o cardiologista. Por exemplo, leite e seus derivados, queijos amarelos, requeijão, linguiça, salame, presunto, são prejudiciais. A gordurinha da carne. Esses alimentos elevam o colesterol ruim. O colesterol bom aumenta com atividade física e uma adequação do peso, e é aí que o cigarro interfere, porque faz diminuir a parte boa do colesterol.
Trabalho & coraçãoO trabalho faz mal ao coração? Desde que não seja de maneira excessiva, estressante, não faz mal. Trabalhar não faz mal pra ninguém. Algumas doenças do coração, porém, não permitem esforço físico. Se o paciente tem uma doença coronariana, deve evitar o trabalho braçal, mas em geral não é afastado do seu trabalho. Todos os tratamentos são feitos para que o indivíduo retorne a suas atividades normais. Um pedreiro que tenha um problema coronariano, geralmente é afastado do seu trabalho; um que tenha arritmia cardíaca e seja aviador ou motorista, também é afastado pelo médico, mas a conduta médica normal é fazer o trabalhador ir se adequando aos problemas, dependendo da profissão.
Stress ou estresseO sujeito estressado é o que tem mais propensão a problemas circulatórios. A personalidade chamada pelos médicos de tipo A, caracteriza o indivíduo muito competitivo, que quer fazer tudo de uma vez. Esse indivíduo, comprovadamente, tem mais problemas na área circulatória do que os indivíduos que não têm aquela personalidade. Uemura explica que o estresse aumenta a frequência cardíaca, aumenta os níveis pressóricos e como produto final aumenta o trabalho do coração. Além de ser um fator de risco, o estresse é um muitas vezes um fator desencadeante de infarto. É comum o indivíduo enfartar durante uma discussão, durante um problema emocional.
Na maioria das vezes a angina precede o infarto. É uma dor no peito; sintoma de que alguma coisa não está bem no coração. Geralmente o paciente tem dor, a dor passa, mas uma hora o problema oclui a artéria e o paciente infarta. Então, na maioria das vezes, o infarto é precedido por dor.
Para Laércio Uemura, os três maiores fatores de risco são a arteriosclerose, que engloba o colesterol e que é o depósito de gordura nos vasos sanguíneos; a hipertensão arterial e o diabete. Apesar de serem importantes inimigos do coração, esses fatores podem ser controlados, como na maioria das vezes acontece na hipertensão.
A mulher e o infartoAs doenças coronarianas, como angina e infarto, são mais frequentes no homem. Existe uma incidência bem maior no homem, até a fase em que a mulher entra na menopausa. A partir da menopausa, aproxima-se a incidência de infarto entre a mulher e o homem. Uemura informa que aumentou um pouco a incidência do infarto em mulheres a partir do momento em que elas começaram a participar mais da vida moderna, do trabalho nas mesmas condiçoes do homem, de situações mais estressantes. Isto aumentou a incidência daqueles males nas mulheres. Mas, o hormônio feminino ainda protege a mulher até a fase da menopausa, ressalva o médico.
Ele destaca, ainda, que as pessoas com histórico daquelas doenças na família correm maior risco de serem vítimas. Por isto precisam fazer check-up com maior frequência.





