Cuidar do coração evita doenças renais
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segunda-feira, 21 de novembro de 2005
Chiara Papali<br> Reportagem Local 
Uma boa maneira de cuidar da saúde dos rins é cuidar também da do coração. Prevenir a hipertensão arterial contribui para evitar doenças cardíacas e também é importante para evitar males como a insuficiência renal. O alerta é da Sociedade Paranaense de Nefrologia (SPN), que nessa semana promove campanha de prevenção a doenças renais.
O objetivo é alertar a população em geral e profissionais das áreas de saúde para a detecção precoce de doenças renais. Segundo o vice-presidente da SPN, o nefrologista Anuar Matni, de Londrina, só assim é possível retardar o avanço da insuficiência renal crônica, que, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), é a 12 causa de morte no mundo. Hoje, no Brasil, são cerca de 1,2 milhão pacientes com a doença.
Os rins, explica o nefrologista, funcionam como um filtro das toxinas do sangue. Além disso, regulam a formação do sangue e a produção dos glóbulos vermelhos, a pressão sanguínea e controlam o balanço químico e de líquidos do corpo. De um funcionamento normal dos rins, depende nossa sobrevivência.
Com o envelhecimento, explica Matni, o órgão vai perdendo parte da sua capacidade. Segundo o médico, a partir dos 40 anos de idade, o indivíduo começa a perder cerca de 8% da capacidade de filtração dos rins por década de vida, podendo chegar aos 80 anos, por exemplo, com 50% da capacidade dos rins.
A insuficiência renal é considerada quando a capacidade de filtração dos rins está abaixo de 60%. Mas nesse estágio ainda é possível retardar a perda com medicamentos e dieta. O problema, ressalta o médico, é que nessa fase os sintomas são ''silenciosos'' e nem sempre incomodam o paciente - anemia leve, pressão alta, inchaço nos olhos e pés, e mudança nos hábitos de urinar.
A consequência disso pode ser o desenvolvimento da insuficiência renal crônica, quando a capacidade dos rins fica abaixo de 10%, e a perda é irreversível. Nessa fase, os únicos tratamentos disponíveis são a diálise ou o transplante renal. Já para quem é diabético, doença que também influencia no desenvolvimento de insuficiência renal, a diálise começa quando a capacidade do rim está em 15%. ''De cada três diabéticos um desenvolve a insuficiência renal crônica'', informa.
Enfrentar a diálise não é tarefa das mais fáceis - são pelo menos três sessões semanais, com duração de três a quatro horas cada uma, o que não raro leva o paciente a parar de trabalhar. E o tratamento tem risco de mortalidade de 15%. Já para o transplante, não indicado em todos os casos, é preciso enfrentar uma fila de espera, que hoje tem 25 mil pacientes. ''No Brasil, ocorrem cerca de três mil transplantes por ano. E o transplante só é indicado para indivíduos abaixo dos 50 anos de idade, que vão ter menos complicações depois da cirurgia'', ressalta.
No Paraná, segundo o nefrologista, são 104 novos pacientes por milhão de habitantes por ano que entram em tratamento. E em Londrina e região, onde hoje são cerca de 500 a 600 pacientes que passam por diálise, são cerca de 60 a 70 pacientes novos por ano.
A previsão é que o número de casos de pacientes com insuficiência renal crônica deve aumentar em todo o mundo, proporcionalmente ao aumento do número de casos de pessoas com hipertensão arterial e diabetes. O grande problema disso, segundo Matni, é o custo do tratamento para esses pacientes. Cada paciente de diálise hoje custa cerca de 7 mil dólares por ano, e 90% dos casos tem cobertura pelo Sistema Único de Saúde (SUS). ''Mas haverá um tempo em que será quase inviável atender todos esses pacientes pelo sistema público de saúde. Por isso é preciso incentivar a detecção precoce'', avalia.


