Cuidados com os pequenos corações
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quinta-feira, 09 de junho de 2016
Rafael Souza<br>Reportagem Local 
A cardiopatia congênita não é uma doença rara. Não dá para dizer que uma patologia que acomete cerca de 28 mil crianças no Brasil seja incomum. É por isso que a luta em torno de diagnósticos mais precisos e melhores condições de tratamento está em pauta novamente, com a campanha da Associação de Assistência à Criança Cardiopata (AACC) Pequenos Corações, embalada pelo Dia da Conscientização da Cardiopatia Congênita, lembrado no próximo dia 12. O movimento foi lançado ontem, em solenidade na Câmara de Vereadores.
No Brasil, há grandes centros especializados no tratamento - São Paulo é a principal referência - mas a maioria das cidades, principalmente no Norte e Nordeste do País, ainda engatinha quando o assunto é estrutura de diagnóstico e tratamento. E isso é o que mais preocupa as entidades que lutam pela causa. Dos 28 mil que nascem com a doença todos os anos no País, estima-se que pelo menos 23 mil necessitem de atendimento diferenciado e de cirurgia cardíaca.
Segundo dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular, em 2014 foram realizadas 5.773 cirurgias em crianças cardiopatas - apenas 22% de todas aquelas que necessitam passar pelo procedimento. Um dado que reflete bem o problema é que 18 mil deles (78%) sequer recebem tratamento, seja por falta de diagnóstico ou por falta de vagas na rede pública de saúde.
Em Londrina, a campanha chega ao seu sétimo ano com motivos para comemorar. De acordo com a cardiopediatra Márcia Thomson, a cidade conseguiu avançar em muitos aspectos nos últimos anos, entre eles o aumento do número de integrantes da equipe cirúrgica, o que permite uma melhor assistência aos bebês. Mas ainda faltam questões importantes. "Uma das coisas que estamos precisando, até em caráter de emergência, é aumentar o número de leitos - de UTI - para que a gente continue fazendo esse trabalho", citou a médica.
Atualmente, o único hospital em Londrina que realiza cirurgias cardíacas em crianças é o Infantil. A unidade tem capacidade para realizar três procedimentos por semana. Com um número maior de leitos, os especialistas dizem que é possível quase dobrar esse montante. Entre 35 e 40 crianças aguardam na fila de cirurgias na região.
O pequeno Mikael, de apenas 6 meses, encara uma luta diária para viver. Portador de uma cardiopatia rara, chamada hipoplasia do ventrículo esquerdo, ele já enfrentou duas cirurgias de grande porte e está na fila por mais uma, que terá que fazer entre os 2 e 4 anos de idade. O procedimento já foi negado pelo plano de saúde e os pais entraram na Justiça para cobrar o direito de fazer a cirurgia. Todo o acompanhamento é feito mensalmente em São Paulo, com um especialista nesse tipo de doença. "Hoje ele está bem, toma sete medicamentos todos os dias. E vai precisar de acompanhamento o resto da vida, por isso o tratamento e o diagnóstico precoce são importantes", reforçou o pai, o policial militar Everaldo José da Silva. A família é de Pitangueiras (Região Metropolitana de Londrina).
Ao final da solenidade de ontem, as entidades envolvidas na causa anunciaram a criação de um canal de comunicação para que as mães sejam informadas sobre o andamento das cirurgias e de um sistema de acolhida para as famílias que vêm de outras cidades. A programação em torno do Dia da Conscientização da Cardiopatia Congênita ainda terá o Piquenique do Coração, que será no domingo, no Lago Igapó 3, das 15 às 18 horas.


