Cuidados com gripe A ficam de lado
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 26 de junho de 2012
Danilo Marconi <br> Reportagem Local 
Londrina - Bruna dos Santos descia a escala rolante do terminal urbano despreocupada: os olhos vagavam pelo horizonte, os fones plugados nos ouvidos ao som de uma banda pop e as mãos, que deslizavam pela borracha do corrimão, contraíam milhares de germes e bactérias. Mal sabia ela que o simples ato pode resultar em uma grave doença, como a influenza A, que voltou a atormentar a população. ''Foi bobeira, geralmente não faço isso'', disse desconsertada.
Perto dali, o cobrador separava notas de R$ 5 e R$ 10, e no momento em que foi abordado pela reportagem da FOLHA levou o dedo à boca. Do antigo suporte do álcool gel ficou apenas a marca de cola na parede. No banheiro, apenas um detergente para limpar as mãos. Reflexo de que os cuidados básicos com a higiene, e que podem evitar a propagação do vírus H1N1 entre a população, ficaram para trás. Pelo menos os ônibus circulavam com as janelas abertas.
''No começo houve preocupação com a gripe A, agora nada acontece'', disse, despreocupada, a estudante Isadora Costa dos Santos. Ledo engano.
O vírus H1N1 está presente e ainda faz vítimas. No Paraná já são 180 casos confirmados da doença, e 13 pessoas perderam a vida em virtude da doença. Em Londrina, sete casos suspeitos são acompanhados de perto pela Secretaria Municipal de Saúde. ''Nós coletamos amostras da secreção para monitoramento dos pacientes, que estão com síndrome respiratória aguda ou grave'', revelou a diretora de Vigilância Epidemiológica, Sandra Caldeira. Os pacientes estão internados em hospitais da cidade.
O município não registra casos da doença desde 2010, ano em que foram contabilizados 87 doentes. Em 2009 houve epidemia com 8.254 casos e 4 mortes. A Secretaria aguarda o resultado do exame de uma mulher de 50 anos que morreu no final de semana com suspeita da doença. A londrinense estava internada no Hospital Evangélico.
''Ela estava internada com outras comorbidades, era cardiopata e diabética, e teve uma pneumonia aguda. O caso é avaliado'', alertou a chefe da 17 Regional de Saúde, Djamedes Garrido. As amostras coletadas do corpo da vítima foram encaminhadas para o Laboratório Central do Paraná (Lacen-PR).
As baixas temperaturas dos últimos dias levou centenas de pessoas aos postos de saúde. No Pronto-Atendimento Municipal (PAM), que estava com o recipiente de álcool gel vazio na sala de espera (na recepção havia apenas álcool líquido), são 7,5 mil atendimentos por mês. Setenta por cento dos casos atuais envolvem problemas respiratórios. ''Metade desses pacientes tem quadro gripal, mas isso não quer dizer que eles estão com gripe A'', enfatizou o coordenador médico, Mohamad El Kadri.
A sala de espera estava lotada. A atendente Maria Aparecida Silva esperava pela consulta havia três horas. ''Começou com um mal-estar, cheguei a ter febre, dor de cabeça, na garganta e ânsia'', contou. O quadro é típico do vírus H1N1. Ela realizou exames raio-x e de sangue.
Cleonice Rodrigues Alves saiu da unidade com uma máscara. Este ano ela não havia tomado a vacina trivalente. ''Fico preocupada porque sou sozinha, sou hipertensa e renal, o que agrava ainda mais a situação'', lamentou.
''Os cuidados caíram em desuso. Naquele primeiro ano (2009), as pessoas criaram o hábito de lavar as mãos constantemente e isso resultou numa queda direta dos casos de conjuntivite na população. Depois voltou. Há necessidade que as pessoas redobrem os cuidados com a higiene, evitem ambientes fechados e qualquer sintoma procurem um especialista'', alertou o médico Mohamad El Kadri.



