Quadros mais freqüentes de estresse e depressão são conseqüência da cultura do ‘‘ter’’ em detrimento do ‘‘ser’’, aponta a psicóloga Rosemarie Elisabeth. Vivemos em uma sociedade, ela explica, que exige das pessoas cada vez mais desempenho, mais performance, seja pessoal, profissional, financeiro ou familiar. ‘‘É a cultura da imagem, da aparência, com relações cada vez mais efêmeras. É um processo acelerado em descompasso com o existir humano, resultando cada vez mais em quadros de estresse e ansiedade’’, comenta.
  Essa cultura também resulta, segundo a psicóloga, na deteriorização do que chama pontos de apoio das pessoas, encontrados no ambiente familiar e de trabalho. ‘‘As relações de trabalho estão cada vez mais frágeis pela competitividade, acabando o respeito, a cooperação, a ética e a amizade entre pessoas com quem passamos o maior tempo das nossas vidas. Por outro lado, as famílias estão cada vez menores e com um grau de exigência financeira maior’’, afirma.
  Depressão, observa a psicóloga, tem a implicância da predisposição genética, mas a interdependência com as questões sociais são grandes. Insatisfação no trabalho, medo de perder o emprego, discórdia entre chefe ou entre colegas, cobrança para se capacitar sem o apoio da empresa, são fatores que podem desencadear a doença. ‘‘A pessoa é um ser inteiro, não é uma no trabalho e outra em casa, o fracasso em qualquer dos ambientes repercute no outro’’, aponta.
  Daí, a importância do ponto de apoio no trabalho, onde o trabalhador possa se sentir valorizado, respeitado, aceito, satisfeito e auto-motivado, vivendo em um ambiente cooperativo e de amizade. ‘‘A saúde emocional pode ser provocada no ambiente de trabalho e familiar através de pequenas atitudes de acolhimento e estímulo, mas ninguém quer ver, todo mundo ‘fecha os olhos’. A crítica é para a sociedade em geral, depressão não é a doença do outro’’, afirma.(C.P.)

mockup