Cuidados além da filantropia
Londrina - Os dados demográficos refletem que as pessoas, de fato, estão vivendo mais. Porém, nem sempre melhor. "Nesse sentido, as doenças crônico-degenerativas ganham importância em detrimento às infecciosas e parasitárias. São pessoas que acabam perdendo um pouco de sua autonomia e independência", diz a demógrafa Claudia Baltar.
Por este e outros motivos, a gerontóloga Eva Bettine defende a ampliação dos cuidados para além da filantropia e do abrigamento. "Isso pode ser realizado por um rede formada por centros de lazer e centros-dia, nos quais os idosos passam o dia sob cuidados e dormem em casa", sugere.
Na pesquisa do MP, havia apenas 16 centros-dia no Paraná. Em Londrina, não há nada do tipo. De acordo com a diretora de Direitos e Defesa do Idoso da Secretaria Municipal do Idoso, Genilda Pozzetti, não existe projeto ou orçamento previsto para a construção de um complexo, nem mesmo para a ampliação das vagas das Ilpi existentes. "Tudo passa por uma questão de prioridade e de recursos. Nosso trabalho é voltado para desinstitucionalizar o idoso."
No ano de 2013, foram 481 solicitações de abrigamento na secretaria. Até julho deste ano, foram 250 pedidos.
Enquanto a situação não é minimizada, segundo Genilda, há a perspectiva da criação de mais dois centros de convivência para os próximos anos. "Este trabalho é fundamental no processo preventivo de saúde e isolamento social. Mas é voltado aos idosos que não possuem dependência", explica.
Bernadete Dal Molin Schenatto, presidente do Conselho Estadual dos Direitos do Idoso (Cedi), diz que as políticas públicas para essa população ainda são incipientes. "O Estatuto do Idoso prevê que o vínculo familiar não seja rompido. Por isso, é fundamental o investimento do governo e dos municípios em centros-dia."
Dulce Darolt, coordenadora de Políticas da Pessoa Idosa da Secretaria Estadual da Justiça, Cidadania e Direitos Humanos (Seju), comenta que a responsabilidade, em primeiro lugar, é da família. Em seguida da comunidade e, depois, do Estado. "Quando se olha para as deficiências que ainda existem, parece que nada foi feito. Mas desde o Estatuto do Idoso houve muito avanço", garante.
De acordo com Dulce, o Plano Estadual dos Direitos da Pessoa Idosa do Paraná, já aprovado pelo Cedi, prevê a ampliação de vagas em Ilpi e construção de novos centros-dia no Estado. "Agora começa a articulação para o aporte de recursos que viabilizem o cofinanciamento dessas ações", revela.(M.T.)





