CUIDADO! DSTs ainda são subnotificadas
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domingo, 17 de julho de 2005
Chiara Papali<br> Reportagem Local 
Verruga, coceira, corrimento, feridas e bolhas são sinais de alerta para as doenças sexualmente transmissíveis (DSTs). Ignorá-los pode custar caro - impotência, esterilidade, complicações graves como câncer de colo de útero e mesmo a morte.
No entanto, apesar da estimativa da Organização Mundial de Saúde (OMS) de ocorrerem cerca de 10 milhões de casos de DST ao ano no Brasil, incluindo infecção pelo HIV (vírus da Aids), são notificados apenas cerca de 200 mil casos por ano. Em Londrina, de 2002 a 2005, foram notificados apenas 3,5 mil casos. Vergonha de procurar o médico é o principal motivo.
Segundo a enfermeira e coordenadora do programa de DST/Aids em Londrina, Rosângela Alvanhan, a prevenção de DSTs ganhou espaço nas ações cobradas pelo Ministério da Saúde. As doenças hoje são consideradas problemas de saúde pública porque além das complicações, facilitam a transmissão do HIV, e nas gestantes podem facilitar o aborto ou a malformação do bebê. ''Algumas delas aumentam em até 20 vezes o risco de infecção pelo vírus da Aids'', relata.
Estudo do Ministério da Saúde (MS), que está sendo realizado em seis cidades, já indica que as mulheres têm mais prevalência de DSTs. Um exemplo é o herpes, que, a cada duas mulheres, apenas um homem tem a doença. ''Na mulher, a prevalência de DST é mais alta até por sua condição fisiológica, receptiva'', explica.
Historicamente associada a profissionais do sexo, as DSTs hoje podem vitimar qualquer um, independente de classe social ou idade. Segundo a enfermeira, a identificação dos sintomas é só a ''ponta do iceberg'' - vencer a vergonha dos pacientes é o principal obstáculo a transpor para uma política real de prevenção de DSTs.
A dificuldade começa porque são poucos os que procuram um médico para se tratar. Segundo a enfermeira, é no balcão da farmácia mais próxima que as pessoas costumam buscar ajuda quando o assunto é DST. Mas tal prática pode ter efeitos danosos - ''podem ser receitados medicamentos não adequados, por profissionais não qualificados, e a cadeia de transmissão da doença não é rompida'', explica.
Não raro, outros nem perto da farmácia chegam. Isso porque, alerta o urologista Roberto Matsumoto, em alguns casos, como a sífilis, por exemplo, os sintomas desaparecem depois de duas a três semanas. O que não significa que a doença acabou. Ela reaparece, depois de alguns meses, sob forma mais intensa.
Com números não é difícil perceber porque é necessário quebrar essa cadeia de transmissão da doença. Dados do Ministério da Saúde apontam que 90% da população brasileira com idade entre 15 e 54 anos é sexualmente ativa, segundo pesquisa realizada em 2004. Desses, quase 20% relataram mais de 10 parceiros na vida. E entre os mais jovens, com idade entre 15 e 24 anos, 7% relatou mais de cinco parceiros eventuais no último ano, principalmente os homens.
A prevenção é simples, mas os números que mostram a frequência do uso de preservativo não segue a mesma proporção da vida sexual do brasileiro - 74% dos pesquisados com idade entre 15 a 24 anos relataram uso de camisinha na última relação sexual, mas apenas 59% apontaram uso regular do preservativo. A prevalência de DSTs foi duas vezes maior entre aqueles que relataram uso irregular do preservativo.


