Sem registrar chuvas desde 16 de maio, Cuiabá (MT) vive neste mês a mais grave estiagem dos últimos 65 anos. O rio Cuiabá, que corta a capital do Mato Grosso e deságua no rio Paraguai (o principal formador do Pantanal), registrou na última sexta-feira a marca de 7 cm acima do nível do mar. Em todas as réguas que medem o nível dos rios, o nível do mar é o ponto zero, não significando, portanto, que ele está completamente seco. Esse é o índice mais baixo desde 1933, quando começaram os estudos fluviométricos e pluviométricos no Estado.
Segundo o coordenador da Defesa Civil de Mato Grosso, Domingos Iglesias, o rio Cuiabá continua secando. A régua que faz o controle da medição indicava 5,04 m acima do mar em 31 de janeiro último, 5,80 m em 28 de fevereiro, 1,28 m em 31 de março, 0,80 m em abril, 0,39 m em maio e 0,18 m em junho. A Defesa Civil Estadual já estuda uma forma de medir o rio, caso o índice fique negativo, abaixo do registrado na régua.
Como o rio Cuiabá já proporcionou grandes enchentes - em 94 várias pequenas cidades ficaram isoladas - e nunca houve seca dessa proporção, há somente cota de alerta para a cheia, e não para a seca. ‘‘Até 1975 nunca havíamos marcado menos de um metro acima do mar, lembra o coordenador da Defesa Civil.
Iglesias atribui a baixa do rio à evaporação intensa, devido à alta temperatura provocada pelos fenômenos El Ni¤o e La Ni¤a. Os termômetros do 9º Distrito de Meteorologia têm registrado em média 35 graus em Cuiabá, contra até 42 graus já marcados em julho pelos termômetros do centro, que sofrem a influência do calor do asfalto.
‘‘Nunca vi tanta sequidão assim, diz Marivalda Pereira dos Santos, 38, há 20 moradora na Alameda Júlio Muller, em Várzea Grande, Grande Cuiabá. Segundo os moradores ribeirinhos, o ponto mais fundo do rio no trecho que corta a capital não passa de 2,5 m. Nas proximidades da ponte que une Cuiabá e Várzea Grande, já é possível atravessar o rio andando, com água no peito de um adulto.
Com a baixa do rio, os mais privilegiados são os pescadores. O baixo volume de água aumenta proporcionalmente os cardumes. Muitos desempregados, que não têm outra ocupação, estão aproveitando a época para pescar e vender peixes nas ruas da cidade por um preço bem abaixo dos praticados nos mercados autorizados.
Idosos e crianças são as principais vítimas de infecções respiratórias provocadas pela baixa umidade do ar, em função das queimadas e do calor intenso.
O rio Cuiabá é a principal fonte de abastecimento de água para cerca de um milhão de pessoas na Baixada Cuiabana. Na Grande Cuiabá, onde vivem cerca de 700 mil pessoas, na capital do Estado e em Várzea Grande a situação é precária. A pior situação é na periferia, onde as ruas não são asfaltadas e os moradores sofrem com a poeira.

mockup