Cubas diz que aceitaria destituição "constitucional"
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 11 de fevereiro de 1999
Por ISABEL BRAGA 
Brasília, 11 (AE) - O presidente do Paraguai, Raúl Cubas Grau, afirmou hoje (11) que aceitará decisão do Congresso de destituí-lo do cargo se ela tiver como base a Constituição do país.
"O julgamento político é uma figura que está consagrada na Constituição Nacional", afirmou após participar de encontro, de uma hora e quinze minutos no Palácio da Alvorada, com o presidente Fernando Henrique Cardoso.
"Se o Congresso, de acordo com a Constituição, decidir a destituição do Presidente da República, vocês podem estar absolutamente seguros de que, no dia seguinte, estarei em minha casa."
Ontem, o chanceler paraguaio, Dido Florentín, anunciou que temia um "golpe parlamentar" para destituir Cubas Grau do cargo depois que deixasse o país para discutir, com Fernando Henrique, questões econômicas.
Hoje, Cubas Grau evitou explicar aos jornalistas brasileiros as razões que o levaram a descumprir a decisão da Corte Suprema de seu país, negando-se a devolver à prisão o general da reserva Lino Oviedo.
"Isso é um problema legal que demoraria horas para explicar", limitou-se a responder.
Quando os jornalistas brasileiros indagarem a Cubas Grau se sua vontade era manter Oviedo solto, o presidente paraguaio respondeu ironicamente: "até eu sair ele continuava (solto)."
Antes de dizer que aceitaria uma decisão de "impeachment" do Congresso paraguaio, Cubas Grau classificou como "boatos" as notícias de que haverá um golpe parlamentar em seu país. "Boatos tem em todo o mundo e cada um diz aquilo que acha melhor", argumentou.
Para o presidente paraguaio, a democracia no Paraguai está firme e vai continuar firme. "Todo mundo aceitou que essa (a sua) foi a eleição mais limpa da história do Paraguai", ponderou. "Vamos lutar para que isso continue e chegue ao fim do seu destino."
Depois do encontro com Fernando Henrique, Cubas Grau descartou a possibilidade dos problemas políticos internos em seu país interferirem nos negócios do Mercosul.
"Achamos que as questões políticas internas do Paraguai se reduzem ao âmbito do Paraguai e de maneira nenhuma podem interferir nas relações do Mercosul."


