Cubas asila-se no Brasil e Oviedo, na Argentina Do enviado especial Ariel Palácios
Assunção, 29 (AE) - O ex-presidente paraguaio Raúl Cubas pediu nesta segunda-feira (29) asilo político ao governo brasileiro, depois de refugiar-se, no fim da tarde, na residência do embaixador do Brasil em Assunção, Bernardo Pericás. Horas antes, a Argentina informara o novo governo paraguaio que concedia asilo para o padrinho político de Cubas, o general da reserva Lino Oviedo.
Cubas, sua família e alguns colaboradores deixaram hoje o país num avião da Força Aérea Brasileira por volta das 22h30 (horário de Brasília). Uma pequena multidão esperava, protestando, o ex-presidente no aeroporto de Assunção.
Aparentemente nenhum representante graduado do governo paraguaio estava presente. O salvo-conduto, solicitado pela embaixada do Brasil para que Cubas deixasse o país, foi entregue momentos antes do embarque. Não foi divulgado para que cidade o ex-presidente estaria sendo levado.
Em São Paulo, o presidente Fernando Henrique disse hoje que a renúncia de Cubas era o "ato mais construtivo para o Paraguai no momento". O presidente prosseguiu: "Se o presidente Cubas necessitar, e se ele assim o julgar, encontrará sempre no Brasil condições de estar presente."
Fontes diplomáticas do Mercosul informaram que as negociações para o possível asilo de Cubas no Brasil haviam sido iniciadas ao mesmo tempo em que era discutida sua renúncia, no domingo.
Cubas deveria ter assumido sua cadeira no Senado paraguaio nesta segunda-feira, cargo ao qual teria direito como ex-presidente. No entanto, as horas passaram e a comissão do Senado, encarregada de dar a posse a Cubas, não o convocou para a cerimônia.
Assustado, temendo uma manobra jurídica que o deixaria sem imunidade parlamentar e sujeito a um processo pelas mortes ocorridas nas manifestações contra seu governo na semana passada
o ex-presidente decidiu buscar o refúgio da embaixada brasileira.
Nos choques com a polícia, cinco pessoas morreram e 192 ficaram feridas. Existem 19 feridos por arma de fogo, quatro dos quais internados em estado grave. Os confrontos do dia 26 já são chamados de "sexta-feira sangrenta". Cubas também seria indiciado como um dos mentores do assassinato do vice-presidente Luis Maria Argaña, morto com 10 tiros na terça-feira.
O recém-empossado ministro do Interior, Walter Bower, que foi o principal opositor a Cubas durante a crise política da semana passada, afirmou que o ex-presidente, mesmo não tendo formalmente a imunidade parlamentar, poderia ficar tranquilo, pois não seria preso.
Já a situação de Oviedo era outra. Um juiz de Assunção havia emitido uma ordem de prisão contra ele, abrindo a possibilidade para que a extradição do general fosse pedida. Pivô da crise que desencadeou a renúncia de Cubas, Oviedo chegou à Argentina na madrugada de hoje, depois de ter deixado o quartel da Guarda Presidencial, em Assunção, onde estava detido e de onde foi liberado pelo último decreto do curto mandato de Cubas.
Ele, a mulher - Raquel Marín de Oviedo, que é cidadã argentina - e três filhos, de 4, 7 e 9 anos, deixaram Assunção num avião particular turboélice BeachCraft, minutos antes de Cubas anunciar sua renúncia. Segundo fontes diplomáticas, o avião dirigiu-se para a Argentina depois de as autoridades do balneário uruguaio de Punta del Este se terem recusado a autorizar a aterrissagem no aeroporto local.
Na chegada a San Fernando, Oviedo foi imediatamente detido por policiais argentinos. Inicialmente, informou-se que ele tinha apresentado documentos falsos aos agentes de imigração. A versão
porém, não foi confirmada pelo Ministério do Interior da Argentina.
Oviedo pediu asilo a Buenos Aires hoje pela manhã, sob a alegação de estar sendo "politicamente perseguido" pelo governo paraguaio. Na Itália, onde está em visita oficial, o presidente argentino, Carlos Menem, disse que o país analisaria com cautela o pedido. Pouco depois, o presidente em exercício, Carlos Ruckauff, firmou o decreto concedendo o asilo. (Colaborou Silvio Bressan)





