Cubanos do Mais Médicos irão receber US$ 1.245
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sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014
Lígia Formenti<br>Agência Estado 
Brasília - Depois das críticas recebidas no último mês, quando veio à tona que cubanos do Mais Médicos recebiam no Brasil o equivalente a US$ 400, o Ministério da Saúde anunciou uma mudança na lógica dos repasses e um aumento real de US$ 245 no salários. A partir de março, eles passam a receber US$ 1.245. Para atingir esse valor, os US$ 600 que antes eram depositados em Cuba passarão a ser fornecidos para os profissionais aqui no Brasil.
O ministro da Saúde, Arthur Chioro, afirmou que a medida já vinha sendo estudada há alguns meses, mas não informou quando. Segundo ele, a mudança foi um pedido da presidente Dilma Rousseff. A alteração é fruto de uma negociação da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) com o governo cubano. O gasto do Brasil com esses médicos permanece o mesmo - o País continuará a repassar para a Opas o valor de R$ 10 mil por médico integrante do programa.
O acordo com o governo de Cuba para recrutar profissionais para o Mais Médicos foi feito em agosto. Profissionais começaram a chegar no mês seguinte e atualmente representam 75% da força de trabalho do programa. Dos 9.548 profissionais que foram chamados para atuar, 7,4 mil são provenientes daquele país - os demais são brasileiros ou profissionais com diplomas obtidos no exterior.
Desde que o programa teve início, o governo brasileiro resistia em informar quanto os profissionais de Cuba recebiam no Brasil. O valor do repasse somente veio à tona quando a médica cubana Ramona Rodriguez, no início do mês, abandonou o Mais Médicos, em protesto contra o salário recebido. Depois de Ramona, outros quatro cubanos saíram do Mais Médicos. Os dois fatos, associados, recrudesceram as críticas ao programa, sobretudo pelas entidades médicas e pelo Ministério Público do Trabalho.
Chioro, no entanto, negou que o anúncio feito ontem tenha relação com as críticas. De acordo com ele, o aumento já vinha sendo negociado pelo seu antecessor, Alexandre Padilha, e representa um processo de aprimoramento do acordo e foi determinado para fazer frente ao custo de vida no Brasil.


