Cubana vai receber R$ 3 mil em novo emprego
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quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014
Mariana Haubert<br>Folhapress 
Brasília - A médica cubana Ramona Rodríguez, que abandonou o programa Mais Médicos na semana passada, e trabalhará na Associação Médica Brasileira (AMB) em Brasília, receberá um salário de R$ 3 mil. O trabalho começa hoje. Pela legislação brasileira, Ramona não pode atuar como médica fora do programa. Ela foi contratada com carteira assinada pela entidade e receberá além do salário, benefícios como vale-transporte, vale-refeição e plano de saúde, que somam quase R$ 1 mil.
De acordo com o presidente da entidade, Florentino de Araújo, Ramona cumprirá funções administrativas de assessoria da presidência. Ela trabalhará das 8 às 18 horas, com duas horas de intervalo para almoço. "Não somos contra mais médicos no País, mas para trabalhar aqui, as leis vigentes precisam ser respeitadas. [...] Vínculo formal de trabalho é o que defendemos para todos os que trabalham aqui", afirmou Araújo. A entidade se comprometeu a ajudá-la a se preparar para prestar o Revalida, exame nacional que permite a médicos estrangeiros trabalhar no Brasil caso sejam aprovados.
"Nós vamos ajudar no que ela precisar. Vamos fazer isso para que ela faça o Revalida, seja aprovada e aqui possa trabalhar no nosso país sendo tratada de maneira digna, contratada formalmente pelas leis brasileiras e não sendo submetida à escravidão que nós julgamos que ela estava sendo submetida até pouco tempo atrás", disse Araújo, que se comprometeu a ajudar qualquer outro médico cubano que queira sair do Mais Médicos.
Para Araújo, a alegação de que o programa engloba um curso de formação para os médicos não pode ser usada pelo governo para não pagar benefícios trabalhistas. "Não podemos admitir um médico trabalhando no Brasil e recebendo 400 dólares. Não podemos compactuar com a afirmação de que esses médicos estão fazendo um curso porque não é verdade. Eles estão trabalhando", disse Araújo.
Outro Caso
O médico Ortelio Jaime Guerra também deixou o programa do governo federal. Assim como Ramona, ele buscou os Estados Unidos como forma de não voltar a Cuba. Os EUA possuem um programa de vistos específicos para profissionais cubanos em missão no exterior que não querem retornar à ilha. Em sua página no Facebook, Guerra contou, na madrugada de segunda, ter deixado o posto em Pariquera-Açu (SP) e já estar nos Estados Unidos. Ele deixou o trabalho há 16 dias.
O ministro da Saúde, Arthur Chioro, afirmou ontem que o governo foi notificado da ausência nas atividades do Mais Médicos de outros três médicos cubanos, além dos dois casos já conhecidos, dos médicos Ramona Rodríguez e Ortelio Jaime Guerra.
O governo publicará hoje uma notificação para que esses profissionais se manifestem, em até 48 horas, e o governo possa resolver a situação: ou com a volta do profissional ou seu desligamento.


