Cuba liberta ativistas depois de julgamento de dissidentes
Havana, 02 (AE-REUTERS) - O governo de Cuba libertou hoje (02) dezenas de militantes de oposição que vinham sendo detidos desde a semana passada em um esforço das forças de segurança para evitar manifestações públicas de solidariedade a quatro dissidentes julgados por sedição.
O julgamento foi encerrado na noite de segunda-feira, sem que a corte tenha chegado a um veredito.
Os réus Vladimiro Roca, 56 anos, a economista Marta Beatriz Roque, 53, o professor Félix Bonne, 59, e o advogado René Gómez Manzano, 55, foram levados de volta à prisão após o julgamento, onde, segundo um comunicado do governo do presidente Fidel Castro, aguardarão o veredito que deve sair nos próximos 12 dias úteis.
Pelo menos 90 pessoas ficaram presas em centros de detenção ou em suas próprias casas durante as quase 14 horas de julgamento, segundo as cifras mais conservadoras de fontes da dissidência.
Os quatro foram presos em 1997 depois de criticar o Partido Comunista e pedir reformas políticas e econômicas. Em termos legais, a acusação contra os dissidentes é de praticar "atos contra a segurança do Estado, em relação a crime de sedição".
A militante de oposição Ileana Someillan, coordenadora de uma associação de apoio ao "Grupo dos Quatro", como os dissidentes julgados são conhecidos, foi libertada hoje de manhã, depois de ter ficado detida em uma propriedade secreta do Ministério do Interior desde domingo à tarde.
Ela afirmou à Reuters que foi bem tratada, alimentada e mantida sozinha em um cômodo confortável, que continua chuveiro, um colchão e ar condicionado.
"Foi a primeira vez na minha vida em que ele me trataram desse jeito um pouco melhor do que as celas feias em que estive antes", afirmou.





