Havana, 26 (AE-REUTERS) - Cuba planeja julgar na segunda- feira, em Havana, os quatro dissidentes mais conhecidos da ilha, cuja detenção, há 19 meses, tem sido foco de pressão internacional contra o governo do presidente Fidel Castro.
Agentes da segurança do Estado confirmaram que os quatro dissidentes, acusados de perturbação da ordem pública depois que solicitaram abertamente mudanças democráticas no sistema cubano, serão julgados no Tribunal Provincial de Havana, disseram à Reuters vários membros de suas familias.
"Esperamos por tanto tempo! Minha esperança é que saiam em liberdade porque são inocentes", disse por telefone Magays Roca, mulher de Vladimiro Roca, um dos quatro dissidentes.
Vladimiro Roca, que foi piloto da aviação militar cubana, é filho de Blas Roca, que durante anos, no período capitalista da ilha, foi secretário do Partido Socialista Popular, de orientação marxista-leninista.
O governo cubano, que nega manter prisioneiros de consciência e qualifica os quatro como delinquentes "contrarrevolucionários", não confirmou a data do que seria o julgamento mais importante de dissidentes nos últimos anos na ilha.
Os dissidentes Martha Beatriz Roque, Félix Bonne, René Gómez Manzano e Vladimiro Roca foram detidos em 16 de julho de 1997, depois de emitirem um documento no qual criticavam o sistema político de Castro e pediam uma série de reformas.
Além de publicarem o documento "A Pátria é de Todos", os quatro estiveram envolvidos em 1996 em uma tentativa frustrada de agrupar várias organizações ilegais de Cuba. Acredita-se que os acusados possam enfrentar penas máximas de cinco a seis anos de prisão.

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