Havana, 01 (AE-ANSA) - A Justiça cubana iniciou hoje (01), sob fortes medidas de segurança, o processo penal contra quatro dirigentes da dissidência interna, detidos desde 16 de julho de 1997 sob a acusação de sedição contra a segurança do Estado.
Ao mesmo tempo, Gerardo Sánchez, da Comissão Cubana de Direitos Humanos, informou que nas últimas 48 horas foram detidos 34 opositores, enquanto outros 37 permaneciam sob prisão domiciliar.
Também hoje, funcionários da Segurança do Estado confiscaram na sede da agência Cuba Press alguns materiais e detiveram dois jornalistas, disseram testemunhas.
Até hoje são cinco os jornalistas denominados "independentes" detidos em Cuba: Efren Martínez e Marvin Hernández, da Cuba Press; Lázaro Rodriguez, da Habana Press; Omar Rodriguez, da Nueva Prensa; e Angel Polanco, da Cooperativa de Periodistas
Há duas semanas, o parlamento cubano promulgou a lei especial de "Proteção da Independência Nacional e da Economia de Cuba", que pode punir com 20 anos de prisão os cubanos que contribuam com "propósitos subversivos ou anexionistas" dos Estados Unidos.
Os dissidentes, cujo julgamento teve início hoje no Tribunal de Província da Cidade de Havana, são Vladimiro Roca, Marta Beatriz Roque, Félix Bonné e René Manzano. Todos eles são itegrantes do Grupo de trabalho da Dissidência Interna.
Vladimiro Roca, que foi piloto da aviação militar cubana, é filho de Blas Roca, que durante anos, no período capitalista da ilha, foi secretário do Partido Socialista Popular, de orientação marxista-leninista.
O governo cubano, que nega manter prisioneiros de consciência e qualifica os quatro como delinquentes "contrarrevolucionários", está realizando o julgamento - considerado o mais importante da ilha - a portas fechadas.
Os dissidentes Martha Beatriz Roque, Félix Bonne, René Gómez Manzano e Vladimiro Roca foram detidos em 16 de julho de 1997, depois de emitirem um documento no qual criticavam o sistema político de Castro e pediam uma série de reformas.
Além de publicarem o documento "A Pátria é de Todos", os quatro estiveram envolvidos em 1996 em uma tentativa frustrada de agrupar várias organizações ilegais de Cuba. Acredita-se que os acusados possam enfrentar penas máximas de cinco a seis anos de prisão.

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