CSN voltará a vender laminados aos EUA
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quinta-feira, 27 de janeiro de 2000
Por Maria Fernanda Delmas 
Rio, 27 (AE) - A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) voltará a vender laminados a quente para os Estados Unidos no início de fevereiro, depois de um ano em que as exportações do produto ao país, sobretaxadas, ficaram inviabilizadas. "A questão das sobretaxas foi equacionada no ano passado e o acordo começou a vigorar em janeiro", explicou a diretora-presidente da CSN, Maria Sílvia Bastos Marques. Pelo acordo, CSN, Cosipa e Usiminas poderão exportar 295 mil toneladas por ano, pelo preço mínimo de US$ 327 por tonelada.
"O importante é que retomamos as exportações e o primeiro teste será em fevereiro", disse Maria Silvia. Mas, para ela, a questão do dumping, especialmente nos Estados Unidos, preocupa bastante. "A CSN e a indústria siderúrgica não estão fazendo dumping", frisou. "A indústria siderúrgica brasileira tem custos muito baixos, é extremamente competitiva, e na verdade assistimos a um movimento dos Estados Unidos de proteger sua indústria."
A CSN tem procurado esclarecer a sociedade e as autoridades norte-americanas sobre as exportações brasileiras. "Nós achamos que por meio da negociação e principalmente do esclarecimento da opinião pública vamos conseguir rever as sanções", completou.
As novas taxas antidumping impostas pelo Departamento de Comércio dos Estados Unidos aos laminados a frio, de 63,2%, praticamente não afetam a CSN, que não é tradicional exportadora do produto. Mas Maria Sílvia lembrou que esta questão já foi resolvida na Organização Mundial do Comércio (OMC). "No final do ano passado, a OMC deu ganho de causa à British Steel, siderúrgica inglesa que sofreu o mesmo tipo de sanção pelos Estados Unidos". Segundo a executiva, "os Estados Unidos também não poderiam impor a sobretaxa às siderúrgicas brasileiras".
Apesar de otimista quanto às negociações com os Estados Unidos, Maria Sílvia afirmou que as exportações totais da CSN devem ser menores este ano, em relação a 1999, por causa da forte demanda interna. "O crescimento do País deve ficar na faixa de 4% e ser maior ainda para o PIB industrial", disse. "Há uma grande correlação de consumo de aço com crescimento do produto industrial", explicou a diretora-presidente.
Historicamente, as exportações da CSN correspondem a 25% a 30% do total da produção.
Maria Sílvia também anunciou projetos hoje, após assinar um acordo de investimento ambiental com o governo do Rio. Em seis meses, deve estar pronto o detalhamento do projeto da construção
no Rio, de uma nova usina siderúrgica produtora de placas. "É um projeto de mais de US$ 1 bilhão". Se o projeto for viável, a CSN pode comprar ainda uma empresa no exterior, para beneficiar as placas.
Light - A diretora-presidente da CSN garantiu que a empresa não será candidata a comprar o lote de ações vinculadas ao bloco de controle da Light, que a BNDESPar colocará à venda em março. O lote corresponde a 9,24% do capital. Hoje, a BNDESPar vendeu 59% dos papéis ordinários da Light, não ligados ao bloco de controle. Maria Sílvia afirmou que a CSN também não pretende vender ações na esteira da BNDESPar.


