CSN prepara memorial
PUBLICAÇÃO
domingo, 11 de julho de 1999
Por Beatriz Coelho Silva 
Rio, 12 (AE) - A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) quer recuperar sua história. O projeto, em convênio com o Centro de Pesquisa e Documentação (Cepedoc) da Fundação Getúlio Vargas (FGV), prevê o lançamento de livros, coleta de depoimento de pioneiros e a criação de um centro de memória, a ser aberto até o fim do próximo ano. A CSN e a prefeitura de Volta Redonda inauguram, na quinta-feira, o Memorial Getúlio Vargas, que abrigará fotos e objetos do presidente responsável pela construção da primeira siderúrgica brasileira.
"É uma parte da nossa história que não pode cair no esquecimento", justifica a gerente de Cultura e Lazer da Fundação CSN, Vera Aguiar. "Muitos dos primeiros empregados da usinas, dos peões que trabalharam como pedreiros na construção a gerentes ainda estão vivos e têm muito a contar." A CSN foi fundada em abril de 1941 e fabricou o primeiro lingote de ferro gusa cinco anos depois, mas a idéia de sua criação vem dos anos 20.
"Em 1928 já existem textos de Pandiá Calógeras, então ministro da Guerra do presidente Epitácio Pessoa, defendendo sua instalação no Vale do Paraíba", conta a historiadora Regina Luz
do Cepedoc, que escreve um livro contando a história da empresa
desde a sua fundação, como estatal até os anos 90, já privatizada. O livro de Regina Luz deve ser lançado até o fim do ano, mas a história começou a ser contada no fim do ano passado com a publicação do livro "Um Construtor do Nosso Tempo", resultado de 33 horas de depoimento do engenheiro Edimundo Macedo Soares, o primeiro diretor técnico da siderúrgica e seu presidente nos anos 50.
Treze funcionários da época da fundação deram depoimento e outros devem falar nos próximos meses. Entre esses pioneiros está José Henrique Dias, o seu Juca, talvez o funcionário mais antigo ainda em atividade. Ele foi registrado na empresa antes mesmo da fundação, ainda nos anos 30, como pedreiro. Trabalhou em várias funções e, ainda hoje, está na ativa: toca trombone de vara na banda da CSN.
"A empresa tem um arquivo enorme, bem estruturado, o que facilita as pesquisas", lembra Vera Aguiar. "Além disso, a Secretaria Municipal de Cultura de Volta Redonda tem muito material sobre a usina que foi a causa da criação da cidade, em 1954", disse Regina Luz. O arquivo da CSN tem cerca de sete mil fotografias, documentos da criação, relatórios científicos e até equipamentos antigos, que mostram a evolução tecnológica da indústria. O acervo já está catalogado e, tão logo seja escolhido o local do centro de memória, será exposto.


