Rio, 23 (AE) - Uma parceria vai permitir o mapeamento das condições geológicas e ambientais e o perfil sócio-econômico da população de seis municípios do Vale do Paraíba, no Rio, até novembro. O trabalho será realizado em conjunto pelas prefeituras, Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e a Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável (FBDS), uma organização não-governamental (ONG) dedicada ao meio ambiente.
O Projeto de Gestão Territorial do Médio Paraíba pretende criar um banco de dados informatizado comum aos municípios de Volta Redonda, Barra do Piraí, Piraí, Quatis, Pinheiral e Porto Real - em Barra Mansa, as conversas com a prefeitura estão adiantadas e o acordo deverá ser fechado ainda esta semana. Esse banco de dados conterá análises sobre, por exemplo, poluição atmosférica, fauna e flora, uso do solo, urbanização e qualidade de vida da população, que estão sendo coletadas pelos pesquisadores da Uerj.
"Se uma indústria quiser se instalar na região, basta à prefeitura acessar o sistema e fazer o cruzamento dos dados para obter informações sobre a melhor localização para o empreendimento, tanto em termos econômicos como ambientais", explica o coordenador de meio ambiente da CSN, Roberto Brito. A empresa está bancando o projeto, orçado em R$ 1,2 milhão.
Fotos de satélites, compradas pela companhia, vão ser usadas para identificar áreas desmatadas ou em processo de erosão. Além dos dados ambientais, o sistema conterá informações sobre renda e ocupação das populações. Dispersão - A CSN pretende, com esse projeto, além de poder definir com mais precisão quais os agentes poluidores e onde atuam, melhorar a imagem de agressora ao meio ambiente que cultivou ao longo de seus 50 anos. "A gente sabe que é poluidor, mas estamos trabalhando para melhorar essas condições", diz o diretor da unidade de serviços, Rubens Mário Wachholz, que anuncia a instalação, este ano, de novos equipamentos não-poluentes.
Para a empresa, a iniciativa pode mudar a relação com o poder público, nem sempre amistosa. "Não é muito comum que áreas tão diferentes, como uma universidade, uma empresa, uma ONG e o poder público, se unam para fazer um projeto comum", observa Brito. Também não é comum que pequenas cidades do interior tenham um bom sistema de informações.
Municípios - A secretária municipal de Planejamento de Piraí, Sheila Valle Souza, enfrenta esse problema. "A maioria das prefeituras da região não têm condições de montar um projeto desses e as informações estão dispersas", aponta.
Hoje, os técnicos da Uerj estiveram em Piraí para conhecer a base de dados já existente no município e o sistema operacional usado pela prefeitura. "Se não for possível compatibilizar uma linguagem única de computadores, os dados serão fornecidos em papel, mas as prefeituras podem usar o sistema da CSN para fazer o cruzamento das informações", diz Brito.
Em Volta Redonda, onde fica a empresa, o coordenador de meio ambiente da prefeitura, Luiz Carlos Imperial, diz que o município está avançado no mapeamento dos problemas ambientais, mas fechou o acordo para garantir o acesso a um maior número de dados. "Quanto mais informação, melhor", avalia.

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