CSN comprará participações nos EUA para driblar barreiras
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 09 de março de 1999
Por Suzana Santos 
Rio, 09 (AE) - A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) fechou o balanço de 1998 com lucro líquido recorde de R$ 464,4 milhões, montante 3,1% superior ao registrado no exercício anterior. Uma das decisões estratégicas da companhia a partir de 1999, anunciada hoje, pelo presidente do Conselho de Administração, Benjamin Steinbruch, foi a de comprar participação em siderúrgicas norteamericanas. O objetivo é exportar do Brasil placas de aço para serem beneficiadas e terem valor agregado nos Estados Unidos.
Steinbruch explicou que este é um dos caminhos para driblar o protencionismo e para facilitar a captação de recursos com custo financeiro de primeiro mundo e sem o risco Brasil embutido.
Para Steinbruch a "fórmula mágica" para as empresas brasileiras é ter participação no exterior, para produzir no Brasil com custos baixos e verticalizar a produção no mercado norteamericano e europeu. Ele informou que já começou a prospectar negócios, primeiramente nos Estados Unidos para depois iniciar negociações na Europa.
A diretora superintendente do Centro Corportaivo da CSN, Maria Sílvia Bastos Marques, também defendeu a tese de que a melhor forma de evitar as medidas antidumping contra as operações brasileiras de venda de bobina quente, material acabado, para os Estados Unidos é vender placas. A conclusão de uma parceria no exterior possibilitará a construção de uma nova usina, já orçada em US$ 2 bilhões, para a produção de placas para exportação.
Este ano a CSN deve exportar entre 500 mil toneladas a 1 milhão de toneladas de placas de aço. No exercício anterior não houve exportação de placas. A exportação de bobina quente deve cair de 800 mil toneladas em 1998 para 500 mil toneladas este ano. O total das exportações deve chegar a 1,5 milhão a 1,7 milhão de toneladas de aço bruto, do total de cerca de 5 milhões de toneladas produzidas e em estoque. O restante ficará no mercado interno. A companhia está aumentando o volume de exportações.
Além deste processo de internacionalização da CSN, Steinbruch anunciou que a companhia participará do processo de reestruturação do setor siderúrgico proporcionalmente à representatividade que ela mantém no mercado, que é de 40%. "Vamos exercer esta participação na reestruturação", disse. A CSN deverá também decidir sobre as participações que mantém fora da siderurgia como a que tem na Light.


