Volta Redonda, RJ, 22 (AE) - A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) planeja construir, em 2001, uma nova siderúrgica apenas para fabricação de placas de aço, em Itaguaí, no Rio. O investimento, avaliado em US$ 2 bilhões, será simultâneo à compra, nos Estados Unidos ou Europa, de uma laminadora para beneficiamento das placas no exterior. O empreendimento foi anunciado hoje pelo presidente do Conselho de Administração da CSN, Benjamin Steinbruch. Depois da inauguração da nova central termoelétrica da Usina Presidente Vargas, em Volta Redonda, o empresário informou que os acionistas tentarão, ao longo do ano 2000, resolver o problema das participações cruzadas na CSN para tornar viável a construção da nova usina.
"Em janeiro poderemos movimentar a primeira peça do tabuleiro para a reestruturação das companhias e dos setores", disse Steinbruch, sem adiantar qual será o primeiro passo. "Postergar as decisões está trazendo um prejuízo enorme às empresas", afirmou, adiantando que a CSN tomará a sua decisão "independente das outras". Ele comentou que cada siderúrgica tomará o seu caminho, admitindo que as estratégias serão coincidentes a partir de um determinado momento.
Pela maneira com que anunciou os planos ousados da CSN para 2001, pareceu determinado a transformar a companhia na principal siderúrgica brasileira a atuar no mercado internacional. O empresário não respondeu, porém, se acredita haver espaço para seis grandes companhias no setor, como ocorre atualmente. "Não vamos ter uma solução ótima, nem vai acontecer tudo ao mesmo tempo, mas vamos dar o primeiro passo", comentou. Produção - A reforma do alto forno da usina de Volta Redonda, no ano que vem, elevará a produção da empresa para 6 milhões de toneladas de aço por ano. A construção da fábrica de placas, em 2001, agregará mais 6 milhões de toneladas à produção, segundo estimativa feita pelo empresário. A exportação das placas para o mercado norte-americado evitará acusações de dumping e problemas de sobretaxa, como os que foram enfrentados recentemente para a venda de laminados.
As placas são commodities cotadas no mercado internacional e, por isso, não estão sujeitas a processos deste tipo. A compra de uma usina no exterior permitirá à CSN agregar valor ao produto em território norte-americano, com o beneficiamento das placas. O aumento da produção não significará
porém, a substituição das exportações de laminados, segundo informou a diretora-presidente da CSN, Maria Silvia Bastos Marques.
"Hoje exportamos US$ 500 milhões por ano e passaremos a exportar mais US$ 600 milhões com as placas", afirmou. "Faremos um projeto financeiro perfeito, já que o produto terá um destino e uma receita garantidas e poderemos montar um funding lá fora".
A produção da usina de Itaguaí se destinará basicamente à venda para o mercado externo. A demanda nacional continuará a ser atendida pela fábrica de Volta Redonda. Segundo Maria Silvia serão utilizados recursos próprios e de terceiros na construção. Termoelétrica - Hoje, a diretoria da CSN inaugurou, com a presença do presidente Fernando Henrique Cardoso e de ministros de Estado, a maior central termoelétrica privada do País. Com capacidade de produção de 230 megawatts de energia, o equipamento garantirá o fornecimento de 60% do consumo de energia da usina de Volta á o fornecimento de 60% do consumo de energia da usina de Volta Redonda.
Ao saudar o empreendimento, o presidente Fernando Henrique defendeu a participação da siderurgia brasileira no mercado internacional. "Precisamos de nossos players nesse mundo que é globalizado", afirmou. "O que esperamos da CSN é que ela continue no caminho de incorporar progresso tecnológico e trabalhe para fazer com que as demais indústrias do Brasil possam avançar".

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